O PCP quer ter acesso a documentos do processo Monte Branco com contactos entre o presidente do BESI e o primeiro-ministro, procurando saber se em 2012 o Governo saberia já da situação financeira da exposição do BES ao GES.

Os deputados comunistas entregaram esta terça-feira um requerimento ao presidente da comissão parlamentar de inquérito à gestão do Banco Espírito Santo (BES) e do Grupo Espírito Santo, solicitando que seja requerido ao diretor do Departamento Central de Investigação e Ação Penal, «o acesso a todos os elementos relacionados» com o objeto da comissão.

No requerimento, o PCP referiu que existem documentos no processo Monte Branco que «confirmam contactos entre José Maria Ricciardi, presidente do Banco Espírito Santo Investimento (BESI), e o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho», em 2012.

Aos jornalistas, o deputado do PCP Miguel Tiago disse que o objetivo é saber se em 2012 o Governo, neste caso o primeiro-ministro, «sabia da exposição do BES ao GES» e qual a «gestão pública» que fez do processo.

Para o PCP, é «fundamental» ter acesso a estes documentos para «cumprir com eficácia» o objetivo da comissão, mas sem «pôr em causa a investigação» do caso Monte Branco.

No verão passado, o ex-presidente do BES, Ricardo Salgado, foi detido - e libertado depois de pagar uma caução de três milhões de euros - no âmbito do processo Monte Branco, que investiga a maior rede de branqueamento de capitais em Portugal.

Cerca de uma semana depois, o Banco de Portugal anunciou a medida de resolução que dividiu o BES em «banco mau» e o Novo Banco, onde ficaram os ativos e passivos considerados não problemáticos.