Carlos Costa está convencido de que fez o que podia para substituir a administração do BES a tempo de evitar o colapso, mas que não conseguiu fazer mais por falta de poderes para tal.

O governador do Banco de Portugal garantiu que não sabia da dimensão do problema até aos dias que antecederam a medida de resolução e que, por falta de tempo, ficou sem outra saída.

O resumo da audição em 9 pontos:

- Fez um «cerco» a Ricardo Salgado para sair, mas não conseguiu retirar-lhe a idoneidade. Foi a sua «pressão» que afastou a família do banco. Para ter feito mais, pediu mais poderes para os supervisores

- Teve um «braço-de-ferro» com Salgado para escolher a sua sucessão. Nova equipa demorou a entrar porque não queria ser responsável pelas contas do primeiro semestre

- BCE fez um ultimato naquele fim de semana e a medida de resolução era a única medida que salvaguardava os depósitos e não obrigava a liquidar o banco

- Foi surpreendido com os prejuízos do BES no fim de julho, sobretudo com os 1500 milhões ocultados. Nesta altura, já não era possível recapitalizar o banco

- «Esquemas fraudulentos» na área não financeira do GES foram revelados com as «confissões» de Salgado e do contabilista, em entrevistas em maio. Até aí, só tinha «indícios de omissão»

- Já aplicou sanções e ainda investiga eventuais ilegalidades. Há novos processos decorrentes do caso BES

- Sobre o empréstimo de 3600 milhões ao BESA, tinha «recebido informações» de que o crédito era de qualidade e só em julho soube do problema

- Sobre o aumento de capital do BES antes do colapso, chutou para a CMVM a responsabilidade de suspender as emissões de capital

- Vítor Bento saiu porque «não se identificava com o projeto» do Novo Banco, que deverá ser vendido até meados de 2015

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