Foi cancelada a audição da técnica do Banco de Portugal Sara Santágueda, que a comissão de inquérito ao BES / GES ia ouvir esta quinta-feira, 4 de dezembro. No final da audição da sua colega Susana Caixinha, que decorreu esta quarta-feira, os deputados manifestaram dúvidas em ouvir a outra técnica que também integra o departamento de supervisão prudencial e a equipa permanente de acompanhamento ao Banco.

Acontece que Sara Santágueda está ainda há menos tempo a desempenhar essas funções, do que Susana Caixinha. Entrou apenas em setembro de 2013.

Sara Santágueda «tem acompanhado» com Susana Caixinha «os exercícios transversais», bem como a «auditoria forense» que está em segredo de Justiça e uma «inspeção» também sob sigilo, explicou a técnica que foi ouvida esta quarta-feira.

O presidente da Comissão de Inquérito começou por manter a audição para amanhã, mas em reunião de coordenadores acabou por ser decidido o contrário. O site do Parlamento dá conta da alteração:



O inquérito a Susana Caixinha foi o mais curto até agora, com a responsável a afirmar que não sentiu nenhuma atitude «hostil» por parte do BES, nas inspeções que realizou nas instalações do banco, que se resumiram «muito» à análise de atas e de exercícios transversais, relacionados com análises de crédito imobiliário e revisão de imparidades do crédito.

As audições prosseguem, assim, na próxima semana, com uma das - senão a - presença mais aguardada, do ex-líder do Banco Espírito Santo, Ricardo Salgado, no dia 9 de dezembro, terça-feira, pelas 9:00.

Salgado escreveu esta quarta-feira aos deputados, explicando que não vai enviar as atas e gravações áudio solicitadas do conselho superior do Grupo Espírito Santo, pelo facto de esses documentos terem sido apreendidos, no âmbito das buscas realizadas nos processos-crime Monte Branco e Universo Espírito Santo. De qualquer modo, reiterou «inteira disponibilidade» para prestar o seu depoimento e os esclarecimentos necessários sobre matérias que não estejam em segredo de Justiça.