Dois ex-representantes do Estado no Banif declararam, esta terça-feira, que o "grau de intransigência" das instituições europeias para com o banco alterou-se com a posse do atual Governo de Portugal, no final de novembro de 2015.

Issuf Ahmad e Miguel Barbosa, antigos representantes do Estado no Banif, estão esta terça-feira à tarde a ser ouvidos na comissão parlamentar de inquérito sobre a venda do banco, e na declaração inicial conjunta, lida pelo segundo, sublinharam a "intransigência" das instituições europeias para com o banco, em concreto no final do ano e depois do Governo do PS chegar ao poder.

Sem assumirem vincadamente, ambos transmitiram a ideia da maior força europeia nesta altura para que fosse encontrada rapidamente uma solução para o Banif.

"Em 26 novembro de 2015 contactámos o gabinete do ministro das Finanças solicitando sermos recebidos com urgência, o que aconteceu logo no dia seguinte. (…) Os contactos foram permanentes e o apoio foi total", advogaram os responsáveis.

Depois, a notícia da TVI de 13 de dezembro do ano passado potenciou uma "corrida" aos depósitos que só acalmou, dias depois, "após uma declaração do primeiro-ministro de que os depósitos estavam protegidos", sustentaram Issuf Ahmad e Miguel Barbosa.

"O processo de venda voluntária findou a 18 de dezembro e o Banco de Portugal assegurou controlo a partir daí", prosseguiram os responsáveis.

Com a resolução do Banif, o Banco de Portugal (BdP) criou a empresa-veículo Oitante, que "definiu o critério de distribuição dos trabalhadores entre o Santander e a Oitante" e que nomeou a administração desta.

A Oitante é presidida por Miguel Barbosa, que foi representante do Estado na administração do Banif.

Issuf Ahmad foi também representante do Estado no Banif embora no Conselho Fiscal da entidade.