O Banco de Portugal (BdP) pediu à consultora Oliver Wyman para avaliar diferentes cenários para o Banif no verão de 2013, entre os quais a resolução, meses após a recapitalização pública, revelou hoje Rodrigo Pinto Ribeiro, sócio da empresa.

"Em agosto e setembro de 2013 analisámos diferentes cenários para o Banif, como a nacionalização, a resolução com venda de ativos e passivos, o banco de transição e a liquidação", afirmou o responsável durante a sua audição na comissão parlamentar de inquérito ao Banif.

Rodrigo Pinto Ribeiro explicou que entre 2012 e 2015 a Oliver Wyman trabalhou com o Ministério das Finanças e com o Banco de Portugal (BdP) em diferentes projetos, alguns relacionados com o Banif.

Para as Finanças, a consultora colaborou com a questão da recapitalização dos bancos CGD, BCP, BPI e Banif com capital público.

"No Banif, a maior parte do trabalho da Oliver Wyman foi realizado já depois da recapitalização, passando pela análise dos planos de reestruturação", adiantou, sublinhando que o objetivo da consultora era "transmitir às Finanças as questões que poderiam ser levantadas pela Direção Geral da Concorrência [da Comissão Europeia]" relativamente aos objetivos traçados pela administração do banco.

Quanto à colaboração com o BdP, iniciou-se em setembro de 2012, quando a entidade apoiou o supervisor na "avaliação e acompanhamento de um plano de contingência para o Banif para o caso de a recapitalização pública não ocorrer", assinalou.

Já em outubro e novembro de 2015, a Oliver Wyman teve a seu cargo a "avaliação dos ativos do Banif para planos de contingência, o acompanhamento da venda e do cenário de resolução", informou Pinto Ribeiro.

O responsável revelou que, durante os cerca de três anos e meio em que a consultora trabalhou para as autoridades portuguesas, as equipas da Oliver Wyman envolvidas nos diferentes projetos variavam entre os cinco e os 15 elementos.