O presidente da Confederação do Comércio e Serviços considerou esta quarta-feira que a oscilação de um ou dois pontos percentuais no nível de competitividade de Portugal, segundo dados do Fórum Económico Mundial, não é fulcral para a economia portuguesa.

Portugal caiu duas posições no ranking mundial de competitividade 2015-2016, ficando em 38.º lugar, segundo a lista divulgada terça-feira pelo Fórum Económico Mundial, estando entre as dez economias desenvolvidas que ficaram em pior lugar.

“Em termos de competitividade, estas oscilações de um ou dois pontos percentuais não têm grande significado. De facto, há uma questão fulcral em termos da economia portuguesa, que é o investimento e a dificuldade de financiamento da economia”, explicou João Vieira Lopes, quando questionado pela agência Lusa sobre a importância dos números do Fórum.

De acordo com o presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), as empresas nacionais “têm tradicionalmente uma capitalização baixa, vivem dos financiamentos da banca, que são atualmente muito restritivos”.

João Vieira Lopes considerou que, para haver competitividade e desenvolvimento da economia, é necessário haver investimento, pelo que "não são de estranhar os números do ‘ranking’", mas alertou que podem ser um sintoma das dificuldades que vão existir para o relançamento da economia.

Segundo o Relatório de Competitividade Mundial 2015-2016, publicado terça-feira pelo Fórum Económico Mundial, Portugal surge na posição número 38 nesta edição, uma classificação que coloca a economia portuguesa entre as dez economias desenvolvidas menos competitivas, juntamente com a Grécia (81), a Eslováquia (67), Chipre (65), Eslovénia (59), Malta (48), a Letónia (44), Itália (43), a Lituânia (36) e Espanha (33).

Já sobre previsões divulgadas terça-feira pelo Instituto Nacional de Estatística vislumbrarem que o emprego nos próximos três meses irá cair, o presidente da CCP considerou hoje à Lusa que esta perspetiva “é realista”, não sendo de “estimar que, neste momento, o desemprego continue a baixar ao ritmo que baixou nos últimos dois anos”.

“O crescimento económico positivo que tem existido desde o ano passado, apesar de fraco, é positivo e tem assentado no aumento do consumo interno. Em ano eleitoral houve flexibilidade, as pessoas colocaram-se numa posição otimista e mais do que aumento de rendimentos houve uma queda da poupança”, afirmou.

Por este facto, João Vieira Lopes, considerou que a reanimação da economia “teve muito a ver com a queda da poupança e o aumento do consumo interno”, lembrando não ser natural que a situação se possa manter de forma sistemática, apesar da evolução positiva das exportações.

João Vieira Lopes salientou a existência de vários indicadores internacionais que colocam algumas interrogações sobre a possibilidade de se manter o ritmo de evolução positiva, dando como exemplos a quebra do crescimento da China, as dificuldades com a crise petrolífera de alguns mercados exportadores, como Angola.

“Também a Europa, com a crise dos refugiados e agora com o impacto da crise da Volkswagen na Alemanha. Dificilmente [a economia] terá crescimento muito grande”, concluiu.