O comentador da TVI António Costa afirmou esta terça-feira, na comissão de inquérito ao Banif, que quando lhe foi pedido para comentar a notícia da intervenção iminente no banco, entendeu "sempre" a expressão fecho em preparação, como a resolução.

"Para mim, obviamente, aquela notícia era verdadeira. Do ponto de vista jornalístico, eu que sou jornalista de economia e prezo o rigor, percebo que na televisão se use a expressão fecho e não resolução. Acho bem que se tenha corrigido por uma questão de precisão, mas isso não altera a essência da notícia. Havia uma solução iminente da resolução do Banif e considero que era esse o espírito da notícia".

Embora não querendo entrar em generalizações, António Costa lembrou o caso BES para elucidar melhor os termos usados. "Todos os dias ouvimos falar no fecho do BES e ele não foi fechado".

Seja como for, diz ter tido o "cuidado" de esclarecer essa questão, na 25ª Hora, programa de informação da TVI24. 

Já a informação sobre as perdas para os depositantes acima dos 100 mil euros "é uma informação errada" e que, recordou, foi assumida pelo diretor de informação da TVI, Sérgio Figueiredo. "Não deveria ser passada. Não estou a desvalorizar o erro. Estou a valorizá-lo", acrescentou.

Quanto à integração do Banif na CGD não lhe parece "exato" dizer que a informação estava errada, uma vez que essa proposta existiu dias antes. 

"Excetuando o erro dos depósitos, na essência a notícia é verdadeira e hoje avalio-a como tal".

 

"Se há alguma coisa que destruiu o banco, seguramente não foi o rodapé da TVI"

António Costa considera que o seu comentário acrescentou "valor" ao rodapé (ticker) da televisão. 

"Se há alguma coisa que destruiu o banco, seguramente não foi o rodapé da TVI. Sem menosprezar o impacto que as notícias têm, a incapacidade de um acionista em gerir um banco, contribui muito mais, na minha opinião, para o desenlace e o desfecho que o Banif teve".

Vincou, quando questionado pelos deputados, que esteve na redação na qualidade de comentador e não de jornalista. O único contacto que diz ter feito foi para o presidente do Banif, Jorge Tomé, "não para confirmar a notícia - isso seria  até ofensivo para a equipa editorial da TVI - mas para perceber como o banco poderia funcionar num contexto de resolução". 

"Liguei ao Dr. Jorge Tomé - ele usou aqui a expressão de que fui coordenador da notícia, não fui, mas percebo da confusão de quem está fora da redação. [A minha função foi] contextualizar situação do Banif face a um risco iminente de resolução.. Não partilhei propriamente informação noticiosa, partilhei com os meus colegas o comentário que ia fazer", adiantou. 
 

 É importante que para além da informação se faça contexto. Não participei, não fui fonte da notícia, nem fui autor da notícia".

 
O comentador da TVI disse que não leu a carta trocada dias antes entre o governador do Banco de Portugal e o ministro das Finanças, na qual o primeiro assume que a resolução era a única saída para o banco.