Comboios de Portugal registou 54,6 milhões de euros de prejuízo no primeiro semestre, que comparam com os 58,1 milhões de euros registado no período homólogo, foi hoje comunicado ao mercado.

De acordo com o comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), para estes valores, registados num “cenário de ausência de indemnizações compensatórias e de contratualização do serviço público, contribuíram, essencialmente, os proveitos de tráfego e a melhoria do resultado financeiro, motivada pela diminuição do passivo financeiro da empresa”.

No período em causa, o resultado operacional foi negativo em 18,5 milhões de euros, que comparam com os 18,8 milhões de euros negativos obtidos no mesmo semestre de 2017.

Por sua vez, o passivo fixou-se em 2,878 mil milhões de euros (contra 2,875 mil milhões de euros no final de dezembro de 2017).

A divida remunerada do grupo em 30 de junho de 2018 cedeu 12,7 milhões de euros em comparação com o mesmo período de 2017, ascendendo a 2,6 mil milhões de euros.

No primeiro semestre de 2018, foram transportados pela CP mais de 62 milhões de passageiros, mais 3,2% face ao mesmo semestre de 2017.

Os proveitos do tráfego registaram uma subida de 5,1% relativamente ao período homólogo, o correspondente a mais 6,1 milhões de euros.

Os resultados refletem a continuada dinâmica comercial da empresa, encontrando-se, no entanto, impactados pelos diversos constrangimentos que afetam a operação ferroviária no período em análise e que originaram uma degradação da qualidade do serviço prestado. A este propósito refira-se o agravamento das condições da infraestrutura, as greves ocorridas e o aumento da taxa de indisponibilidade do material, por falta de capacidade produtiva da EMEF [Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário]”, indicou.

No final do primeiro semestre de 2018, o efetivo da CP era de 2.687 trabalhadores, menos nove do que no final do primeiro semestre do ano anterior, devido “aos processos de recrutamento autorizados no decurso de 2017 e concluídos já em 2018, e de um número significativo de saídas por reformas e por revogação do contrato de trabalho por mútuo acordo”.

No semestre de referência, a CP colocou 58 validadores adicionais nas estações dos urbanos de Lisboa, tendo em vista “melhorar o combate à fraude”.

No primeiro semestre, o lucro da EMEF, cujos principais clientes são a CP, o Metro do Porto, a Medway e o SIMEF, fixou-se em 1,3 milhões de euros, um aumento de 0,4 milhões de euros face ao período homólogo.

O resultado operacional e o EBITDA (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) sem indemnizações atingiram 1,5 milhões de euros e 2,3 milhões de euros, respetivamente.

O efetivo da EMEF, no final do semestre em causa, era de 986 trabalhadores, menos 50 colaboradores do que no final do primeiro semestre de 2017, decorrente da saída de “um número significativo” de trabalhadores para a reforma.

No período entre 2016 e 2017 a EMEF apresentou vários pedidos de autorização para a contratação de trabalhadores. Contudo, a mesma só se veio a concretizar em julho de 2018, para o recrutamento de 102 trabalhadores”, referiu a CP.

Estado aumentou capital da CP em junho e injetará mais em setembro

O Estado fez um aumento de capital na CP – Comboios de Portugal de 14 milhões de euros em junho e está previsto que injete mais 18 milhões de euros em setembro, segundo o relatório e contas hoje divulgado.

Este ano, apenas tinha sido público que, em fevereiro, o Estado aumentou o capital da empresa ferroviária em 22,9 milhões de euros.

Já segundo as contas semestrais da CP hoje divulgadas, os secretários de Estado do Tesouro e das Infraestruturas aprovaram um novo aumento de capital de 32 milhões de euros referente a junho.

Contudo, foi apenas injetado “o valor de 14 milhões, com referência a junho”, e os “restantes 18 milhões serão realizados em setembro”.

No total, até ao momento, o Estado acordou injetar na CP 54,9 milhões de euros, mas apenas 36,9 milhões de euros foram já realizados.

No ano passado, o Estado recapitalizou a CP em cerca de 500 milhões de euros, em vários aumentos de capital.

As queixas sobre o serviço prestado pela CP subiram de tom recentemente e o tema já se tornou motivo de confronto político.

Esta segunda-feira, os líderes parlamentares analisaram em reunião o requerimento do CDS-PP para que se realizasse já esta semana uma comissão permanente extraordinária para discutir os problemas da ferrovia, pedido que foi rejeitado, uma vez que apenas os centristas e os sociais-democratas estavam a favor.

O ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, estará na comissão permanente da Assembleia da República agendada para 06 de setembro para debater a situação da ferrovia.

Dois dias antes, em 4 de setembro, estará no parlamento o presidente da CP numa audição “sobre a degradação do material e o serviço prestado”, pedida pelo PSD, segundo a página da Assembleia da República na internet.