O Estado chinês quer reforçar a participação na EDP para além da posição que detém atualmente.

Para isso, através de um consórcio , que inclui a China Three Gorges, o maior acionista da EDP, prepara-se para lançar uma Operação Pública de Aquisição sobre a totalidade do capital social da EDP, oferecendo uma contrapartida de 3,26 euros por cada ação, o que representa um prémio de 4,82% face ao valor de mercado.

Os títulos da EDP encerraram o dia de negociações a ganhar 0,75%, nos 3,11 euros, antes de a negociação ser suspensa pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), que aguardava informações relevantes da OPA. Uma suspensão que a CMVM decidiu, esta sexta-feira à noite, levantar.

Segundo o anúncio preliminar de lançamento da OPA, divulgado esta sexta-feira na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a China Three Gorges oferece uma contrapartida de 3,26 euros por ação, avaliando, assim, a EDP em cerca de 11,9 mil milhões de euros.

A China Three Gorge pretende que a elétrica se mantenha com identidade portuguesa, com sede e cotada em Portugal.

A China Three Gorges afirma ainda que procurará manter “uma política de dividendos estável, não abaixo do que foi divulgado no último plano de negócios” da EDP.

Atualmente, a China Three Gorges detém 850.777.024 ações da EDP, representativas de 23,27% do capital social da empresa liderada por António Mexia.

Caso a OPA tenha sucesso, a China Three Gorges afirma, em comunicado, que “cumprirá a sua obrigação legal de lançar uma oferta pública obrigatória sobre 100% do capital social da EDP Renováveis (EDPR), excluindo as ações já detidas pela EDP, a 7,33 euros por ação.

A China Three Gorges diz ser sua “intenção […] assegurar que as ações da EDPR permanecem admitidas à negociação em Portugal”.

O grupo chinês disse que só lançará a OPA sobre a EDP se o Governo de Portugal não se opuser à operação.

Os chineses sujeitam a concretização do lançamento da operação a várias aprovações, como das autoridades de concorrência (Autoridade de Concorrência e Comissão Europeia), mas também à “confirmação por parte do Governo de Portugal de que não irá opor-se à oferta tal como delineada no presente anúncio preliminar”.

O primeiro-ministro, António Costa, já fez saber que não tem “nenhuma reserva a opor” a que o grupo chinês realize uma OPA sobre a EDP.