Foi o CaixaBank que quis lançar uma Oferta Pública de Aquisição sobre o BPI, o processo foi demorado, viu esta quarta-feira luz verde com a desblindagem de estatutos e agora não há mesmo volta a dar: a OPA passa de voluntária a obrigatória. e terá de ser a 100%, sobre a totalidade do capital. 

Disso mesmo deu conta o regulador, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, que emitiu um comunicado depois do fecho do mercado. 

"A CMVM informa que deliberou na presente data considerar cessados os efeitos da prova da inexistência de domínio sobre o Banco BPI, S.A., anteriormente realizada perante esta Comissão pelo CaixaBank S.A. ao abrigo do disposto no art. 187.º/2 do Código dos Valores Mobiliários, tendo em conta a alteração dos pressupostos em que baseou a referida deliberação, tomada em 20 abril de 2012, em face do resultado deliberativo alcançado em assembleia geral do BPI hoje realizada", começa por dizer.

Em consequência, ao abrigo do art. 187.º/3/b do Código dos Valores Mobiliários, o CaixaBank S.A. constituiu-se na presente data no dever de lançamento de oferta pública de aquisição sobre a totalidade do capital social do Banco BPI, S.A".

Ou seja, mesmo que o CaixaBank quisesse, por algum motivo, desistir, já não poderá voltar atrás e terá mesmo de concluir a OPA. O que não parece constituir qualquer problema, uma vez que o presidente do banco espanhol se mostrou satisfeito com a luz verde dada pelos acionistas na assembleia-geral de hoje. Removido o obstáculo dos estatutos, tem tudo para dar certo.

As ações do BPI estiveram suspensas durante todo o dia, precisamente por decisão da CMVM, que depois do fecho do mercado emitiu este comunicado. Ontem, as ações do BPI valiam 1,091 euros, abaixo do preço de 1,113 euros por título da OPA lançada em abril.

Veja também: Desbloqueio no BPI dá margem para olhar para Novo Banco