As dificuldades de obtenção de crédito das empresas junto dos bancos «acentuaram-se ao longo de 2012», verificando-se em contrapartida um aumento do autofinanciamento, conclui o relatório anual da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

«As dificuldades de obtenção de crédito das empresas junto do sistema bancário acentuaram-se ao longo e 2012, refletindo-se numa redução do peso relativo do crédito bancário enquanto meio de financiamento de novo investimento, que caiu 18,4%», frisa o relatório anual de 2012 que o regulador publicou no seu site, citado pela Lusa.

Em contrapartida, destacam os documentos, «assistiu-se a um aumento significativo do peso do financiamento assente em recursos próprios (autofinanciamento)», cujo peso era de 80,6% nas empresas de maior dimensão, enquanto nas empresas com 50 a 249 trabalhadores diminuía para 52,3%.

O financiamento por ações e obrigações foi de 0,6% entre as empresas de maior dimensão e praticamente inexistente nas empresas com menos de 250 trabalhadores, pelo que o acesso a financiamento destas últimas através do mercado de capitais continuou a ser residual, avança.

O regulador do mercado adianta que em termos médios as empresas reduziram o endividamento de curto prazo, «todavia nas não financeiras de menor dimensão a dependência aumentou e nas de maior dimensão diminuiu».

«Há uma tendência clara de aumento contínuo do nível de endividamento das grandes empresas interrompida apenas com os dados mais recentes (março de 2013). Entre as microempresas a tendência é a oposta onde o endividamento caiu de 47,3% em 2011 para 44,7% em março de 2013», diz a CMVM.

Por outro lado, os resultados ajustados do ciclo das grandes empresas cotadas em Portugal estão atualmente «muito abaixo» da média histórica, após de terem iniciado uma queda desde meados de 2010, segundo o regulador do mercado.

«A maioria das empresas do PSI20 exibiu PER (rácio entre a cotação da empresa e o resultado por ação) inferior à média histórica. Algumas das empresas registaram em 2012 valores anormalmente baixos», lê-se no relatório anual.

Como exemplo, a CMVM dá o caso do Banco BPI, Semapa, Mota-Engil, Sonaecom e EDP, avançando em contrapartida que o BES, a Cofina, a Galp Energia e a Jerónimo Martins «apresentaram em 2012 PER mais elevados que a média histórica».

«No caso da Cofina o rácio excedeu 40, o que poderá ser justificado pelo facto de os resultados terem caído a um ritmo superior por comparação com as cotações», afirma.

O relatório explica que o PER do PSI 20 «registou um crescimento muito significativo em 2012», principalmente devido à «expressiva redução dos resultados das empresas incluídas no índice».

Os documentos frisam ainda que «a negociação continuou a diminuir», mantendo-se a tendência no primeiro trimestre deste ano, «com cerca de dois terços da negociação em ações e metade em dívida», uma «realidade muito distinta do que se vinha registando até 2010».

Contudo, já no primeiro semestre de 2013 o mercado secundário registou «um incremento de 28,1% em volume», com a dívida em particular destaque (+79,7% em termos homólogos).

No ano passado, oito sociedades cotadas emitentes recorreram a emissões de obrigações, mas já nos primeiros cinco meses deste ano registaram-se mais duas novas emissões.

Quanto aos mercados não regulamentados, avançam os documentos, «continuam a aumentar de peso em relação aos volumes negociados sobre títulos do PSI-20», pelo que os regulamentados representam apenas 35,6% do turnover (valor das ações negociadas) total no final de 2012.

«Contudo, os dados do primeiro semestre de 2013 sugerem uma alteração da distribuição de negócios por mercado no sentido de uma recuperação do peso dos mercados regulamentados», explica.