O BPI refutou, esta terça-feira à noite, a versão apresentada pela Santoro Finance, de Isabel dos santos, sobre a permanência do impasse na sua situação acionista, num comunicado colocado na página da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) na Internet.

“O Banco BPI não reconhece a versão dos factos apresentada”, assim começa o texto, prosseguindo com a afirmação de que o banco “mantém integralmente o que comunicou ao mercado nos documentos publicados nos dias 10 e 17 de abril” passados.

Em particular, a instituição “reafirma” que a Santoro Finance e o Caixabank lhe comunicaram em 10 de abril que “as negociações se encerraram com sucesso” e que a Santoro “desrespeitou o que tinha acordado”, “ao solicitar alterações aos documentos contratuais nos quais estava vertido o resultado das negociações que tinham sido encerradas em 10 de abri”.

A Santoro, holding controlada pela empresária angolana Isabel dos Santos, negou esta terça-feira ter quebrado qualquer acordo com o CaixaBank e acusou o Governo português de “favorecer uma das partes”.

“Existiam ainda assuntos pendentes que deveriam ser solucionados, em relação aos quais o CaixaBank recusou, dias depois, a sua formalização, nomeadamente a questão relacionada com a liquidez dos acionistas do BPI”, salientou a ‘holding’.

A Santoro Finance acentuou que o acordo com o CaixaBank “nunca foi finalizado” e, por isso, “é falso ter existido qualquer quebra do acordo da parte da Santoro”.

A holding de Isabel dos Santos garantiu também que, apesar de as negociações para alcançar um acordo com o CaixaBank terem fracassado, continua empenhada em resolver o problema do excesso de exposição do banco português a Angola.

Os catalães do CaixaBank reagiram ao falhanço das negociações com a Santoro Finance com o lançamento de uma nova Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre o Banco BPI, oferecendo uma contrapartida de 1,113 euros por cada ação.

O banco catalão, o maior acionista do BPI, com 44,10%, já fez o anúncio preliminar da operação, passo necessário para se dar início a este processo com o qual quer ficar a controlar mais de 50% do banco liderado por Fernando Ulrich.

Já na OPA voluntária anunciada esta segunda-feira, o banco catalão oferece 1,113 euros, ou seja, o BPI é avaliado em 1,6 mil milhões de euros.

O anúncio da OPA surgiu na segunda-feira, um dia depois de o banco português ter avisado o mercado de que tinha ficado sem efeito um princípio de acordo entre o Caixabank e o segundo maior acionista do banco, os angolanos da Santoro Finance, sobre o controlo da instituição portuguesa.

O princípio de acordo, anunciado a 10 de abril, visava resolver o problema da elevada exposição do banco português a Angola.

Apesar de o Banco de Fomento Angola (BFA) ter representado no ano passado mais de 50% do lucro do BPI, ou seja, 135,7 milhões de euros de um total de 236,4 milhões, o Banco Central Europeu anunciou em 2014 a alteração da forma de contabilização dos bancos europeus com negócios em Angola, penalizando o capital.

O BPI passou então a ter de reduzir a sua exposição àquele país, mas isso fez vir ao de cima as divergências entre o Caixabank, o principal acionista do BPI - com 44,10% do capital social, apesar de só poder exercer 20% dos votos - e a Santoro, da empresária angolana Isabel dos Santos, que detém 18,58% do capital.