O presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), Carlos Tavares, disse esta quinta-feira no Parlamento que, no seu entender, em cargos de liderança nos bancos, não deve prevalecer o princípio da presunção de inocência.

Ricardo Salgado detido e ouvido no TIC

Regulador preocupado com estabilidade do BES

«Há quem defenda que se deve respeitar o princípio da presunção de inocência nestes casos mas, e o que vou dizer pode chocar os defensores dos direitos humanos, numa instituição financeira, as pessoas têm que estar acima de qualquer suspeita», afirmou o responsável.

O líder do supervisor foi chamado à comissão do Orçamento e Finanças devido à situação que vive o Grupo Espírito Santo (GES), do qual o Banco Espírito Santo (BES) é o principal ativo.

A ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, e o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, também já marcaram presença nesta comissão na semana passada.

Estas declarações do presidente da CMVM ganham força já que são proferidas no mesmo dia em que o ex-presidente executivo do BES, Ricardo Salgado, começou a ser ouvido na qualidade de arguido pelo juiz Carlos Alexandre, do Tribunal Central de Instrução Criminal.

A audição de Ricardo Salgado para primeiro interrogatório judicial ocorre no âmbito da «Operação Monte Branco», que investiga a maior rede de branqueamento de capitais em Portugal, disse à Lusa fonte do Tribunal Central de

Instrução Criminal.

Em nota enviada à comunicação social, a Procuradoria-Geral da República confirmou a detenção de Ricardo Salgado.

«No âmbito do Processo Monte Branco, o Ministério Público (DCIAP) tem vindo a realizar várias diligências que culminaram com a detenção de Ricardo Salgado no dia de hoje», refere a nota da PGR.

A detenção de Ricardo Salgado surge na sequência de buscas efetuadas na quarta-feira a várias entidades do Grupo Espírito Santo.