O Banco de Portugal veio tentar tranquilizar, esta manhã, os clientes do Banco Popular, que foi comprado pelo valor simbólico de 1 euro pelo grupo Santander.

A filial portuguesa está "incluída no perímetro de venda" e "passa a integrar o grupo do Banco Santander". Porém, diz o supervisor da banca, o Popular vai continuar a funcionar normalmente.

A medida não implica qualquer alteração na atividade do banco português, que continua a operar com total normalidade, agora integrado num novo grupo bancário”.

Fica também a garantia de que a solução encontrada para evitar a queda do Banco Popular “protege as poupanças confiadas ao Banco Popular Portugal, assegura a continuidade dos serviços prestados em Portugal e do financiamento à economia". 

O Banco de Portugal nota ainda que a venda “não contempla financiamento por parte de bancos portugueses", até porque a filial portuguesa "não foi objeto de qualquer medida de resolução".

Esta venda em contexto de resolução faz lembrar os casos do BES e do Banif, mas com diferenças. Nos dois bancos portugueses houve ajudas de Estado, sendo que o BES foi partido em dois, o BES mau e o banco de transição - o Novo Banco - sob a alçada do Fundo de Resolução, e que ainda está por vender, embora já esteja em fase de negociações exclusivas com o fundo norte-americano Lone Star. No caso do Banif, o Fundo de Resolução ficou só com a parte má do banco e o Santander Totta ficou com os ativos bons.

Nesta operação que acaba de realizar-se em Espanha, evitaram-se as ajudas de Estado e a venda foi feita a 100%. O Santander pretende realizar um aumento de capital de "aproximadamente 7.000 milhões de euros" que colmatará o capital e as provisões necessárias para reforçar o balanço do banco. Isto serão, no fundo, as necessidades de capital do Banco Popular, o que quer dizer que estava à beira da falência.