BES bad bank

«Quem irá receber primeiro são os titulares de créditos comuns que fiquem no perímetro do Banco Espírito Santo»

Se um cidadão comprou produtos não lhe tendo sido fornecida a informação adequada e o tribunal declara transito em julgado é um credor comum. Esse está à frente, por exemplo»

A deputada Mariana Mortágua (BE) considerou existir uma «contradição» entre as suas palavras e as do Banco de Portugal que, em agosto de 2014, o mês da resolução, respondeu aos clientes do BES  dizendo que esse dinheiro estava no Novo Banco.

Máximo dos Santos respondeu que teria de «verificar», mas pelo que dita a resolução, «essas responsabilidades ficam lá», no BES.

Máximo dos Santos disse que tem tido «abertura» para receber clientes lesados pelo colapso do banco, através de associações «com interesses integrados». «Já recebi, sim», admitiu. «É penoso para as pessoas», reconheceu também.

«As próprias associações me dizem que estão a evitar» ir mais longe, «na expectativa que uma solução diferente possa emergir», acrescentou.

«A percepção que tenho é que estes clientes estão na expetativa de ter algum conforto relativo a essa situação»

grupo de clientes lesados manifestou-se

Já a propósito dos processos judiciais que estão em curso, caso o BES seja condenado a pagar possíveis indemnizações, reconheceu que não poderá não ter capacidade financeira para as suportar. «É preciso saber se o BES terá património e recursos para fazer face a responsabilidades que venham a emergir dessas decisões». 

Na sua audição, abriu um pouco o véu sobre o balanço do BES, que será tornado público nos próximos dias. O capital próprio é «claramente negativo».

Máximo dos Santos criticou a medida de resolução decretada pelo Banco de Portugal, dizendo que tem «lacunas importantes»

Revelou, também, que encontrou indícios de atos lesivos, ou seja, de crime, no seio do BES, quando assumiu funções já depois do colapso. Reportou-os e considera que, no final de contas, «o maior lesado disto tudo foi o BES». Adiantou, depois de interpelado sobre o assunto, que a família Espírito Santo e os ex-administradores têm oito milhões de euros congelados no bad bank.

Sobre o BES Angola, não exclui a possibilidade de processar o banco angolano, pela assembleia geral em que o BES se viu impedido de participar, vendo a sua participação acionista ser arruinada. Em cima da mesa, dependendo das conclusões que se vierem a tirar sobre as investigações em curso, também poderá estar um processo contra a retirada da garantia de Angola que cobria os créditos emprestados pelo BES ao BESA. 

O BES, para todos os efeitos, continua a existir, uma vez que não perdeu a licença bancária e é constituído por uma equipa de 17 pessoas.