O presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP) considerou esta segunda-feira que os resultados eleitorais de domingo e os discursos dos líderes da coligação Portugal à Frente e do PS "sugerem que os consensos parlamentares são possíveis".

Contactado pela Lusa, António Saraiva afirmou que "o país necessita de estabilidade política e social", bem como de "concretizar as reformas que ainda estão por realizar", destacando a Segurança Social, o papel e a dimensão do Estado e a promoção do investimento e da competitividade como os temas "em que os consensos, além de urgentes, são obrigatórios".

"Os resultados eleitorais obtidos pela coligação e pelo PS e os discursos dos seus líderes sugerem que os consensos parlamentares são possíveis", sublinhando que "é isso que o país espera" e que "é isso que os empresários exigem".

A coligação formada por PSD e CDS-PP venceu com 38,55% dos votos (o que representa 104 deputados), tendo perdido a maioria absoluta, e o PS foi o segundo partido mais votado, com 32,38% (85 deputados), estando ainda por atribuir quatro assentos na futura Assembleia da República, referentes aos círculos da emigração.

O presidente dos sociais-democratas afirmou no domingo que a coligação PSD/CDS-PP, sem maioria absoluta, procurará entendimentos com o PS no parlamento para fazer reformas como a da Segurança Social e irá ao encontro de todas as forças europeístas.

Depois de anunciar que, na sequência da vitória nas legislativas, PSD e CDS-PP vão reunir os órgãos nacionais para formalizar um acordo de Governo, Pedro Passos Coelho acrescentou: "Não deixaremos de ir ao encontro daqueles que, como é o caso do PS, no novo parlamento se filiam numa opção europeia e respeitando as regras da zona euro".

O secretário-geral do PS, por seu lado, defendeu no domingo à noite que compete à coligação PSD/CDS formar Governo e salientou que ninguém conte com os socialistas para serem "maioria do contra", gerando ingovernabilidade, mas exigiu virar a página da austeridade.

"Não seremos maioria do contra", declarou António Costa já no período de perguntas após ter reconhecido a derrota do PS nas eleições legislativas, quando questionado sobre um cenário de entendimento entre todas as forças da futura oposição.

António Costa defendeu que compete à coligação PSD/CDS encontrar condições de governabilidade, mas deixou advertências, dizendo que "ninguém pode contar com o PS para viabilizar políticas contrárias ao PS".