Portugal e Espanha acordaram hoje iniciar, «nos próximos meses», os trabalhos para criar um Mercado Ibérico do Gás, pretendendo concluir a revisão do Protocolo Adicional de combate a incêndios florestais e reiterando o empenho no desenvolvimento da ferrovia de mercadorias.

Estes são alguns dos pontos-chave da declaração conjunta final da XXVII cimeira luso-espanhola, que decorre hoje em Vidago, Chaves, que juntou os primeiros-ministros Pedro Passos Coelho e Mariano Rajoy.

Com o objetivo de concretizar o mercado interno de energia, os governos ibéricos estabeleceram o prazo de «nos próximos meses» iniciar os trabalhos para a «criação de um Mercado Ibérico do Gás (MIBGÁS)».

Estas ações conjuntas passam pela «criação imediata de grupos de trabalho técnicos e na preparação de um tratado internacional entre ambos os países», explicando a declaração conjunta que a criação do MIBGÀS e a dinamização do Mercado Ibérico de Eletricidade (MIBEL) «posicionará a Península Ibérica como uma alternativa de abastecimento de energia custo-eficiente para a Europa».

Ficou ainda decidido «agilizar a efetiva execução dos Projetos de Interesse Comum de Gás e Eletricidade nas datas estabelecidas e de assegurar o necessário financiamento, incluindo a nível europeu».

Os executivos português e espanhol enalteceram «a excelente colaboração desenvolvida no âmbito da final da Liga dos Campeões», que juntou duas equipas espanholas (Real Madrid e Atlético de Madrid) a 24 de maio no Estádio da Luz e Lisboa.

«Neste contexto, assinalaram a importância da cooperação transfronteiriça e, congratulando-se com os avanços registados desde a última cimeira, decidiram reforçar a cooperação já existente. Neste sentido, sublinharam a necessidade de concluir a revisão do Protocolo Adicional em matéria de combate a incêndios florestais com o objetivo de alargar as intervenções a outras operações de proteção e socorro», anunciam.

Reiterando o empenho de ambos os governos «no desenvolvimento do transporte ferroviário de mercadorias entre os dois países e o resto da Europa de forma a promover a sua competitividade», não foram fixadas datas concretas sobre este tema, tendo sido instados os «gestores de ambos os países a operacionalizar o Grupo de Trabalho estabelecido na Declaração de Intenções assinada em 17 de maio de 2013».

«Reafirmaram a importância estratégica das ligações ferroviárias transfronteiriças Lisboa-Sines-Caia-Madrid-Irún e Aveiro-Salamanca-Irún, as quais através de uma implementação calendarizada da bitola europeia, da eletrificação e de condições na infraestrutura para a circulação de comboios de mercadorias de 750 m, com pendentes adequadas, permitirão o transporte de mercadorias de alta capacidade na Península Ibérica e além Pirenéus.

Deste modo, acordaram em trabalhar de maneira coordenada nas intervenções, já iniciadas ou futuras, que permitam impulsionar o desenvolvimento destes corredores», referem.

Sobre a ligação de comboio entre Porto-Vigo, os países «congratularam-se com a aprovação de um novo modelo de exploração conjunta que permitiu um aumento da procura e do início do novo serviço previsto para 1 de julho de 2014, com a inclusão de três novas paragens comerciais em Viana do Castelo, Nine e Valença, sem haver lugar a troca de maquinistas na fronteira».

Ainda sobre transportes, mas neste caso sobre o terrestre, Portugal e Espanha congratularam-se com as negociações com vista à assinatura, dos Convénios sobre a Ponte Internacional do Guadiana e Ponte Internacional Rodo-Ferroviária de Valença.