Os líderes dos países da União Europeia, com exceção do Reino Unido, deram início ao seu encontro informal em Bratislava, na manhã desta sexta-feira, com os desafios comuns que o projeto europeu e o futuro da união enfrentam em cima da mesa. Brexit e crise dos refugiados serão temas incontornáveis. Bem como o (des)emprego. O sentimento dos principais rostos da família europeia não era, à entrada, o mesmo.

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, apelou à unidade dos líderes europeus, pedindo-lhes que “suavizem as diferenças” que os separam, para que a União Europeia (UE) “funcione”.

Precisamos de unidade para demonstrar que a Europa funciona. [O projeto europeu enfrenta] uma crise existencial”.

Na mesma linha, a chanceler alemã, Angela Merkel, disse hoje que a UE está a atravessar um período difícil. 

 Estamos numa situação crítica. Temos de mostrar, através das nossas ações, que podemos fazer melhor"

Já o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, mostrou-se mais otimista., preferindo minimizar a questão da “unidade” (ou falta dela) que preocupa do seu colega da Comissão.

As diferenças entre os Estados-membros europeus são muito mais fáceis [de superar] do que se pensa”.

Também o primeiro-ministro de Portugal, António Costa, entende que o ponto de partida da cimeira é bom, porque é realista, uma vez que “a Europa sabe que tem um problema”.

"Acho que começámos bem, com a constatação da evidência: há um problema. Demos um segundo passo importante, que foi afirmar todos a vontade de resolvermos este problema em conjunto. Agora vamos fazer o essencial, que é resolver o problema”, declarou.

“É uma boa oportunidade de não estarmos centrados num documento e em propostas concretas, mas poder haver espaço para os 27 líderes expressarem-se livremente e trocar pontos de vista. Porque isso também é muito importante para vencer um dos maiores problemas que surgiu na Europa nos últimos anos, que é uma enorme fratura cultural e desconfiança entre todos, entre leste e oeste, entre sul e norte, e temos que vencer isso, porque sem vencer esse estado de desconfiança entre uns e outros também não conseguiremos construir nada em comum”.

 

 

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O presidente francês François Hollande defendeu, por seu turno, que o seu país não pode ficar isolado na defesa da Europa.

A França faz um esforço principal para a defesa europeia, mas não pode estar só, nem quer estar só. [A Europa] deve ser capaz de se defender a si própria”.

Esta é uma cimeira com baixas expectativas em termos de decisões, uma vez que tem um cariz informal. De qualquer modo, dela deve resultar num roteiro dos trabalhos da UE para os próximos meses.

Para além do Brexit e dos refugiados, terrorismo, segurança comum e reforço do plano de crescimento e emprego – conhecido como Plano Juncker – devem ser temas em destaque. O homem que lhe dá a cara, e que lidera a Comissão Europeia,  pretende duplicar o montante dos investimentos para os 630 mil milhões de euros em investimentos públicos e privados até 2022.