
A XXV Cimeira Luso-Espanhola, que decorrerá no Porto, na quarta-feira, vai ter na agenda temas como a cobrança de portagens nas antigas SCUT e a ligação por «alta prestação ferroviária» entre Portugal e Espanha.
De acordo com fonte do gabinete do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, citada pela Lusa, as questões de segurança e defesa, os mercados ibéricos da eletricidade e do gás, as comunicações móveis e a cooperação bilateral no setor do ambiente serão também debatidos no Porto.
Os assuntos económicos e europeus estarão em destaque neste encontro, que acontecerá depois de um interregno de três anos nas cimeiras entre Portugal e Espanha e no rescaldo das eleições presidenciais francesas de domingo.
Segundo a mesma fonte do gabinete do primeiro-ministro, a XXV Cimeira Luso-Espanhola permitirá que os executivos dos dois países, que enfrentam uma crise que toca a ambos, e têm proximidade ideológica, «se conheçam melhor, até no plano pessoal».
A cobrança eletrónica de portagens nas antigas autoestradas SCUT (sem custos para o utilizador) tem recebido críticas por parte de autoridades públicas de Espanha pelas dificuldades de acesso dos seus cidadãos a estas vias portuguesas.
No que respeita aos transportes ferroviários, o Governo português deu como «definitivamente abandonado» o projeto de ligação a Espanha por «alta velocidade», estando agora em cima da mesa a aposta numa ligação por «alta prestação em bitola europeia» que permita o transporte de mercadorias para o centro da Europa.
A XXV Cimeira Luso-Espanhola será antecedida de uma reunião do Grupo de Trabalho da Cooperação Transfronteiriça, que reúne as administrações centrais e as entidades de base territorial dos dois países, em Castelo Branco, na segunda-feira.
Por outro lado, paralelamente à cimeira ibérica, vai realizar-se no Porto, na quarta-feira, um seminário empresarial organizado pela Confederação Empresarial de Portugal e pela Confederação Espanhola de Organizações Empresariais, que será encerrado pelos chefes dos governos português, Passos Coelho, e espanhol, Mariano Rajoy.
De acordo com fonte do gabinete de Passos Coelho, deverá haver pelo menos oito ministros de cada um dos executivos presentes na Cimeira Luso-Espanhola, e vários secretários de Estado.
Fontes do Governo espanhol adiantaram à Lusa que a delegação de Espanha incluirá, além de Mariano Rajoy, representantes de nove ministérios, dos quais pelo menos seis ao nível de ministro: Negócios Estrangeiros, Defesa, Agricultura, Interior, Justiça e Educação.
Do lado espanhol, estarão também representados os ministérios da Economia, Fomento e Emprego e Segurança Social, estando por determinar se ao nível de ministro, secretário de Estado ou, possivelmente, ambos.