Os principais líderes europeus reunidos esta quarta-feira, em Milão, na cimeira sobre o emprego, concordaram que devem ser melhor usados os fundos europeus para combater o desemprego jovem, mas sem se comprometerem para já com o aumento das dotações.

Esta cimeira foi a terceira sobre o emprego, depois das de Paris e de Berlim, realizadas o ano passado, em que foi acordada a criação do programa europeu Garantia Jovem, que visa promover a inserção no mercado de trabalho dos jovens e que tem um investimento previsto de 6.000 milhões de euros entre 2014 e 2015.

O Presidente francês, François Hollande, tinha vindo a defender nos últimos dias um alargamento do plano até 2020 e um aumento da dotação para 20 mil milhões de euros, mas hoje não houve qualquer compromisso nesse sentido. Em vez de mais dinheiro, os líderes europeus falaram na necessidade de usar melhor esses fundos.

O próprio Hollande disse, no final do encontro, que antes de falar de aumentar a dotação falta usar os fundos já aprovados: «Alguns países não conseguiram ou não souberam usar, apesar de o desemprego ser alto», afirmou.

O Presidente francês fez estas declarações ao lado da chanceler da Alemanha, Ângela Merkel, para quem «a questão não é que não haja dinheiro suficiente».

«Precisamos de investir mas temos de saber onde», defendeu, por seu lado.

Já para o anfitrião desta cimeira, o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, a Europa está a risco de perder «uma geração inteira de europeus» e considerou que «algo não funciona na Europa quando se destruíram tantos empregos desde 2008».

Já o presidente cessante da Comissão Europeia, Durão Barroso, afirmou que para superar o problema do desemprego devem continuar a ser feitas as reformas estruturais e falou também na necessidade de diminuir a carga fiscal sobre o trabalho.

Em agosto, a taxa de desemprego era de 11,5% na zona euro e de 10,1% na União Europeia, valores que continuam elevados apesar de terem vindo a recuar nos últimos meses. Em Portugal, o desemprego atingia 14% da população ativa. Quanto ao desemprego jovem, era de 35,6% em agosto em Portugal, enquanto na zona euro se fixava nos 23,3%.

O pano de fundo desta cimeira continuou a ser a política de austeridade seguida pela UE e a flexibilidade pedida por líderes como Mateo Renzi e François Hollande de modo a que a Europa consiga impulsionar crescimento económico. Esse deverá ser, aliás, o tema principal do próximo Conselho Europeu, marcado para 23 e 24 de outubro, em Bruxelas.

Precisamente sobre a necessidade de mais investimentos para ajudar à retoma económica, em conferência de imprensa após a cimeira, o primeiro-ministro português voltou a repetir que isso deve ser feito pelos países que têm «mais flexibilidade orçamental e financeira».

«Os [países] que têm maiores condicionamentos devem acentuar a sua aposta no rigor e disciplina de maneira a poder manter custos de financiamento mais baixos», afirmou Passos Coelho, referindo-se ao caso de Portugal.

Pedro Passos Coelho voltou ainda a sublinhar a necessidade de fazer reformas estruturais e considerou que «todos os países precisam de as fazer», mesmo a Alemanha.

Defendeu também uma «sincronização» dessas reformas, considerando que isso realçaria os efeitos positivos dessas medidas.

Ainda nas declarações aos jornalistas, o primeiro-ministro português desvalorizou a revisão em baixa feita pelo Banco de Portugal do crescimento da economia portuguesa este ano, que espera agora que o Produto Interno Bruto (PIB) aumente apenas 0,9%, considerando que tem «pouco significado estatístico» a queda de 0,2 pontos percentuais face à anterior estimativa e preferiu destacar a queda do desemprego e aumento do investimento, como reporta a Lusa.