O disparo de 3,7% do Millennium BCP não foi suficiente para impedir o fecho negativo da Bolsa de Lisboa, em sintonia com uma Europa que anseia por novas medidas monetárias por parte da China, apesar da disponibilidade do Banco Central Europeu em estender o seu programa de compra de ativos.

O Eurofirst 300, que agrega as 300 maiores cotadas europeias, chegou a negociar em terreno positivo a meio da sessão, logo após uma fonte do BCE ter dito que a queda dos preços das matérias-primas, como o petróleo, põe em risco a inflação alvo estabelecida pelo banco, estando este pronto para intervir, se necessário. Contudo o Eurofirst 300 acabou por descer 1,57%.

As bolsas europeias também fecharam no 'vermelho', com quedas de até 1,68% em Londres, com os investidores a temerem que sejam necessários mais estímulos vindos da China de forma a travar o abrandamento da segunda maior economia mundial.

Ontem, o Banco Popular da China anunciou um conjunto de medidas de estímulo monetário para estancar as quedas dos mercados financeiros e restabelecer a confiança dos investidores, mas não terão sido suficientes. As autoridades chinesas cortaram em 25 pontos base (pb) a sua taxa de empréstimos a um ano, para 4,6%, e a taxa dos depósitos com a mesma maturidade e reduziram os requisitos para reservas de rácio de capital dos bancos de 50 pb, efetiva a partir de 6 de Setembro. Adicionalmente, injetaram 140.000 milhões de yuans (cerca de 20 mil milhões de euros) através de operações de liquidez de curto prazo. Alguns analistas realçam que serão necessários mais um ou dois cortes na taxa diretora nos próximos meses.

No mercado cambial, o euro deprecia-se 1,1% para 1,1385 dólares, e no mercado petrolífero, os preços seguem mistos, com o barril de Brent a subir 0,16% em Londres, para 43,28 dólares.

SUBIDA DO BCP INSUFICIENTE

A bolsa de Lisboa fechou a cair 0,99%, pressionada pelas desvalorizações das energéticas e dos CTT, Apesar do disparo do Millennium BCP.

As ações do maior banco português cotado encerraram a ganhar 3,66%, PARA 0,0623 EUROS, após terem chegado a disparar quase 10%, com os sinais que o Governo polaco pode recuar no plano de obrigar os bancos, a arcar com grande parte dos custos de converter os empréstimos à habitação em francos suíços para zlotys. O BCP controla o Bank Millennium. "O Millennium BCP subiu bastante depois de a Ministra (adjunta) das Finanças polaca ter admitido que poderia recuar na lei sobre a conversão de créditos", afirmou Paulo Rosa, 'trader' na GoBulling, citado pela agência Reuters. Izabela Leszczyna, ministra adjunta das Finanças, disse que a lei poderá regressar à sua forma original, recaindo sobre os bancos apenas 50% do custo de conversão, ao invés dos 90% propostos pela câmara baixa do Parlamento de Varsóvia.

Os pares domésticos, Banif e BPI, chegaram a acompanhar a euforia do BCP, mas acabaram por inverter, arrastados pela onde negativa do exterior. O Banif caiu 1,82%, para 0,0054 euros, e o BPI perdeu 0,43%, para 0,925 euros.

Pressão adicional das energéticas, com a Galp a cair 2,69%, para 8,703 euros, e a EDP a perder 0,95%, para 3,031 euros. Os CTT lideraram as quedas no PSI-20 e recuaram 3,03%, para 9,257 euros.

No retalho o cenário também foi negativo, tendo a Jerónimo Martins caído 0,16%, para 12,405 euros. A Sonae desceu 1,42%, para 1,113 euros, após um corte de preço-alvo. O Equita SIM desceu o preço-alvo Sonae em 10,5% para 1,7 euros por ação, após os fracos resultados apresentados na semana passada.

A Portucel ganhou 0,12%, para 3,209 euros, no dia em que anunciou uma inesperada subida homóloga do lucro líquido de 18%, para 58,7 milhões de euros, no segundo trimestre de 2015, com uma robusta melhoria da performance operacional suportada pelo aumento dos volumes e dos preços.