São dias difíceis os que se vivem na bolsa chinesa. O principal índice da bolsa de Xangai perdeu 20% em apenas uma semana, entre 17 e 24 de agosto.
 
Durante mais de um ano, os investidores habituaram-se a ganhos rápidos e avultados, mas de um momento para o outro, a bolha rebentou.
 
O gigante asiático, que é a segunda maior economia do mundo, deu sinais de abrandamento. Apesar de ter crescido 7% no primeiro trimestre deste ano, o facto é que essa é a menor taxa de crescimento dos últimos seis anos. Os receios de uma crise juntaram-se aos alertas de economistas e analistas, de que os ganhos acumulados nos últimos anos eram insustentáveis e que mais cedo ou mais tarde, a bolha ia rebentar.
 
 
Foi em junho. Desde meados desse mês que o mercado chinês não para de perder dinheiro e já anulou completamente os ganhos de 60%, acumulados desde o início do ano.
 
A economia chinesa atravessa uma fase de transição. O Governo quer passar de uma economia assente na indústria exportadora para outra baseada no consumo, e tinha no mercado de capitais um trunfo para atingir esse objetivo: popularizar a bolsa entre os chineses servia para financiar as endividadas empresas chinesas, ao mesmo tempo que impulsionava o consumo, por dar aos pequenos investidores maior capacidade financeira para consumir. Mas em vez do pretendido, o efeito tem sido o contrário e o momento é de pânico.
 
 
As autoridades chinesas têm tomado várias medidas para travar a sangria, mas até agora, nada resultou.
 
É que o mercado chinês tem uma peculiaridade, face aos mercados americanos ou europeus: 80% das ações disponíveis estão nas mãos de cidadãos, investidores individuais, e não de empresas ou fundos de investimento. Muitos destes pequenos investidores são analfabetos e inexperientes, assustam-se com facilidade e tomam decisões com base em rumores. O resultado é um comportamento semelhante ao de um rebanho, e pouco racional.
 
Segundo os dados da China Securities Depository & Clearing, um terço destes investidores individuais desapareceu do mercado no último mês. O número passou de 75 milhões para 51 milhões.