A CGTP considera desadequada a escolha de Maria Luís Albuquerque para substituir Vítor Gaspar na pasta das Finanças e defende que o Presidente da República devia convocar eleições antecipadas para que os portugueses elegessem um novo Governo.

«Não nos parece adequada a substituição de Vitor Gaspar pela secretária de estado do Tesouro Maria Luis Albuquerque, que está envolvida no processo das swaps e, por isso, o sentimento geral é que ela deveria ser substituída mas afinal foi promovida», disse à agência Lusa o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos.

Arménio Carlos considerou ainda que «a situação do país não se resolve com remendos».

«Por isso o Presidente da República deveria demitir o Governo e convocar eleições legislativas antecipadas para que o povo português pudesse escolher democraticamente outro rumo para o país», defendeu.

O sindicalista referiu que a saída de Vitor Gaspar do Ministério das Finanças é um sinal de que o Governo «está cada vez mais isolado» depois de ter «promovido uma política de desastre social».

A greve geral de quinta-feira mostrou que a generalidade da população não se revê nesta política e rejeita este Governo.

«Para a CGTP, esta substituição não resolve os problemas do país e significa que o Governo está a tentar perpetuar-se no poder iludindo a população com mais uma substituição», afirmou o líder da Intersindical.

UGT espera que saída de Gaspar simbolize mudança de políticas

Já a UGT manifestou satisfação pela saída de Vitor Gaspar do Governo e considerou que a substituição do ministro das Finanças é uma oportunidade para o Governo dar um sinal aos parceiros sociais e mudar de política.

«A substituição do ministro das Finanças, Vitor Gaspar, peca por tardia, porque ele tem sido o rosto da forma sacro-santa de cumprimento das metas orçamentais, que têm sido todas contra as pessoas e as suas condições de vida», declarou à agência Lusa o secretário-geral da UGT, Carlos Silva.

Carlos Silva disse ainda que «Vitor Gaspar nao deixa saudades» e salientou que o ministro demissionário não conseguiu cumprir uma única meta orçamental e falhou na política fiscal, apesar dos sacrifícios impostos aos portugueses.

O sindicalista não quis expressar opinião sobre a escolha de Maria Luis Albuquerque para ministra das Finanças, afirmando que «mais que as pessoas, importa olhar para as políticas que elas personificam».

«Esta é uma oportunidade para o Governo dar um sinal aos parceiros sociais», destacou.

Carlos Silva manifestou esperança de que a greve geral da semana passada tenha sido interpretada pelo Governo como uma rejeição das suas políticas e que a substituição do ministro das Finanças «seja um sinal de mudança».

«Esperamos que a nova ministra das Finanças seja mais reativa e dinâmica no cumprimento das obrigações internacionais, mas sem prejudicar mais os portugueses», afirmou.