O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, acusou hoje o Governo de fazer «propaganda» ao anunciar que Portugal vai sair do atual resgate financeiro sem recorrer a qualquer programa cautelar.

«A saída limpa agora anunciada não passa de uma manobra de propaganda do Governo dado que, na prática, vamos ficar nos braços dos mercados e dependentes das condições de imposição dos respetivos juros que nos queiram aplicar», considerou Arménio Carlos, em declarações à Lusa.

Saída sem cautelar «é uma mistificação»

O dirigente da Intersindical falava à Lusa depois de o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, ter anunciado que Portugal vai sair do atual resgate financeiro sem recorrer a qualquer programa cautelar, regressando autonomamente aos mercados.

Segundo Arménio Carlos, e tendo em conta as medidas que constam no Documento de Estratégia Orçamental (DEO) conhecidas na quarta-feira, «temos pela frente dias de mais austeridade e dias de mais empobrecimento para o país», pelo menos, até 2018.

«Neste momento, nós não estamos numa situação melhor, mas numa situação em que este Governo está apostado, juntamente com a troika, em manter Portugal colonizado nos próximos anos. Portanto, a saída limpa pode ter sido positiva para os mercados, mas é extremamente penalizadora para os trabalhadores e para o país», frisou Arménio Carlos.

Portugal vai sair do atual programa de resgate financeiro sem recorrer a qualquer programa cautelar, regressando autonomamente aos mercados, anunciou o primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho.

«Depois de uma profunda ponderação de todos os prós e contras, concluímos que esta é a escolha certa na altura certa. É a escolha que defende mais eficazmente os interesses de Portugal e dos portugueses e que melhor corresponde às suas justas expectativas», acrescentou o chefe do executivo PSD/CDS-PP.

Portugal recorreu à ajuda externa em maio de 2011, tendo o país recebido 78 mil milhões de euros.