O secretário-geral da CGTP-IN alertou esta sexta-feira que quanto mais vezes o primeiro-ministro diz que não se demite, mais mostra estar preocupado com a contestação da população que pode levá-lo a sair «mais depressa do que pensa».

«Quanto mais repete que não sai, só confirma que mais preocupado está com a contestação, com a indignação das pessoas e também com a luta dos trabalhadores», afirmou Arménio Carlos à margem da apresentação pública do livro «CGTP-IN: 43 Anos a Construir a Igualdade entre Mulheres e Homens», no Porto.

O sindicalista realçou que «por mais que o primeiro-ministro repita que não se quer demitir, o que nós sabemos é que ele está preocupado com o aumento da contestação e portanto, provavelmente, mais cedo do que tarde terá que o fazer».

«Não estamos a pensar que por vontade dele saia, mas estamos a pensar que a luta dos trabalhadores e das populações pode forçá-lo a sair mais depressa do que o que ele pensa», sustentou, citado pela Lusa.

Arménio Carlos assinalou que aquela estrutura sindical continua disponível «para encontrar soluções que não passem nem por esta política nem por este governo».

Lembrou que «por isso mesmo os trabalhadores da função pública da saúde estão a fazer uma greve com grande impacto, no dia 31 vamos ter uma manifestação de grande significado dos trabalhadores da administração pública (...) e no dia 13 de novembro temos o dia nacional da indignação, ação e luta com paralisações e greves quer no setor público quer no setor privado».

No início desta semana Passos Coelho disse que as próximas eleições legislativas ocorrerão no prazo «normal» previsto na Constituição, «a menos» que haja uma «crise profunda» que, disse, não desejar nem antecipa.