O secretário-geral da CGTP afirmou esta segunda-feira que o Governo já predefiniu as medidas que vão conduzir a mais cortes nos salários e nas pensões, mas considerou que estas só serão conhecidas depois das eleições europeias, no final de maio.

«Em relação às novas medidas, tudo indica que o Governo não as vai anunciar até ao dia 25 de maio, dia de eleições para o Parlamento Europeu, mas elas já estão predefinidas. Os sinais que surgem de declarações de Ministros e de secretários de Estado apontam para a continuação e intensificação de cortes para os mesmos: trabalhadores, pensionistas e reformados», afirmou Arménio Carlos, em conferência de imprensa.

As declarações do sindicalista foram feitas horas depois da reunião do Conselho de Ministros, que esteve hoje reunido extraordinariamente durante quase cinco horas, num encontro para discutir o Documento de Estratégia Orçamental (DEO), que o Governo tem de apresentar até abril.

Arménio Carlos considerou que o anúncio de novos cortes ¿ nas pensões, através da substituição da Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES) por uma medida de natureza permanente, e nos salários, através da tabela salarial única na Administração Pública ¿ é demonstrativo de que o Governo está fortemente empenhado em prosseguir com a austeridade, após a saída da troika.

«Uma política que aposta nesta linha de pressão sobre os portugueses vai ter consequências para a dinamização da economia», alertou o sindicalista, sublinhando que Portugal «até pode reduzir o défice para 4,9% [em 2013], mas é preciso saber à custa de quê e de quem e as vítimas estão aí à vista de todos».

A Comissão Executiva do Conselho Nacional da CGTP reuniu-se hoje para discutir a proposta em curso do Governo sobre o DEO, designadamente, os cortes nos salários e nas pensões de reforma.