O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, disse esta segunda-feira em Coimbra que se a política de obsessão pelo cumprimento do tratado orçamental não for travada, o país ficará, dentro em breve, pior do que há dez anos.

Portugal tem «um Governo que está de costas voltadas para o povo e para o país» e que está «obcecado em cumprir um tratado orçamental, mesmo que isso seja feito à custa da redução de direitos, da redução de salários, à custa da destruição do Serviço Nacional de Saúde, da escola pública e também da proteção social», afirmou Arménio Carlos.

É preciso «pôr um travão a esta política, sob pena de, dentro de pouco tempo, não só vivermos pior do que há dez anos, como, acima de tudo, estarmos numa situação em que as novas gerações terão um futuro ainda pior do que o presente que nós temos», sustentou o líder da CGTP-IN (Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses – Intersindical Nacional).

«É isso que nós não podemos permitir e é por isso mesmo que vamos continuar na rua e amanhã estaremos com um número muito significativo, muitos milhares de trabalhadores, na Assembleia da República, para dizer que no mesmo momento em que o PSD e o CDS estão a aprovar o Orçamento, a esmagadora maioria do povo está a rejeitá-lo nas ruas», sublinhou o secretário-geral da CGTP.

Arménio Carlos falava aos jornalistas, hoje, em Coimbra, à margem de uma concentração, no Largo da Portagem, na Baixa da cidade, e desfile de várias dezenas de dirigentes e ativistas sindicais até às instalações da Autoridade para as Condições de Trabalho, na avenida Fernão de Magalhães.

A manifestação, que teve início ao meio da tarde de hoje, integra-se na série de ações de protesto que a central sindical tem vindo a promover em diversas localidades do país, designadamente para protestar contra o Orçamento do Estado para 2015.

Estas iniciativas pretendem, «desde logo, manifestar a nossa oposição a um Orçamento do Estado que, mais uma vez, esmaga não só a economia, mas sobretudo o rendimento das famílias, dos trabalhadores e dos pensionistas», concluiu o dirigente sindical.