O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, acusou a Comissão Europeia de estar "concertada com o Governo português" para a continuação das políticas de austeridade responsáveis pelo agravamento das desigualdades e do empobrecimento dos portugueses.

Arménio Carlos referiu em conferência de imprensa que o próximo Conselho Europeu, que se realiza quinta e sexta-feira, vai discutir o novo semestre europeu e o Plano Nacional de Reformas para 2015.

"Isto implica uma avaliação das políticas aplicadas até agora, que tinham necessariamente que ser mudadas. Mas constatamos o inverso", disse o sindicalista salientando que as recomendações da Comissão Europeia vão no sentido de "dar continuidade à política de direita, responsável pela exploração, desigualdades e empobrecimento crescente dos trabalhadores, do povo e do país".


Segundo o líder da Intersindical, as recomendações ao Conselho Europeu sobre o Plano de Reformas abrangem a política orçamental, os salários, o emprego, o endividamento das empresas, restruturações, concessões e parcerias público-privadas.

"Isto num quadro marcado pelo Tratado Orçamental e por novos ataques à legislação laboral, à contratação coletiva, aos serviços públicos, às funções sociais do Estado, assim como à democracia e soberania nacional", afirmou.


Arménio Carlos acusou a Comissão Europeia de ter "uma posição concertada com o Governo português para fazer mais cortes na despesa pública, nomeadamente na despesa social, ou seja, mais cortes na saúde, educação e Segurança Social, à conta dos trabalhadores e pensionistas".


O secretário-geral da Inter lembrou a "brutal redução dos salários", aplicada sobretudo aos trabalhadores do setor público, mas também aos trabalhadores do setor privado e considerou que as indicações da União europeia para o futuro vão no mesmo sentido.

"Não se trata apenas de moderação salarial mas sim da intenção de dar sequência à redução acentuada dos rendimentos das famílias", considerou.

Arménio Carlos aproveitou o encontro com os jornalistas para anunciar que a petição da CGTP, com mais de 60.000 assinaturas, para o pagamento de subsídio social de desemprego a todos os desempregados que já não recebem nada, vai ser discutida a 02 de junho no plenário da Assembleia da República.

O sindicalista manifestou ainda a solidariedade da CGTP para com os gregos, considerando que "a União Europeia não está a respeitar o voto popular nem está a ser solidária para com um povo que já sofreu tanto".