O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, lamentou esta quarta-feira que a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) continue a falar em rigidez laboral, referindo que «com amigos destes», Portugal não precisa de inimigos, escreve a Lusa.

Arménio Carlos falava à entrada da reunião de hoje da Concertação Social, na qual apesar de não constar da agenda de trabalhos a evolução do salário mínimo será um assunto que a CGTP irá abordar.

A OCDE recomendou na terça-feira ao Governo que mantenha «o valor do salário mínimo inalterado» até que haja «sinais claros de recuperação» do mercado de trabalho, defendendo que o aumento dos salários deve estar ligado à produtividade nacional.

«Eles são insaciáveis. Continuam a falar na rigidez do trabalho e este é o 'slogan', ou a cassete que já se usa há 25 ou 30 anos em Portugal», disse Arménio Carlos, referindo que ainda agora Portugal está a rever a legislação laboral e continua-se a dizer que «ela ainda é rígida».

«Toda a gente sabe que temos uma das legislações laborais mais flexíveis do mundo. Mas o que continuam a dizer é que tem que se flexibilizar. Para quê? Para facilitar os despedimentos, reduzir as indeminizações, reduzir os salários, destruir a contratação coletiva», disse.

Para a CGTP, a posição do Governo é «a mesma de sempre», pois continua com os mesmos apoios ao nível da União Europeia.

«Este é um relatório da OCDE, mas recentemente a Comissão Europeia fez um relatório de sentido idêntico. Então com amigos destes nós não precisamos de inimigos», sublinhou.

Na ordem de trabalhos de hoje está a análise de um relatório sobre as diferenciações salariais por ramos de atividade, mas também será discutido o Fundo de Garantia Salarial e as Medidas Ativas de Emprego.