O secretário-geral da CGTP disse hoje, no Entroncamento, que não subscreveu o manifesto que pede a reestruturação da dívida pública porque não foi convidado, mas também ele defende essa negociação.

Arménio Carlos, que hoje participou na manifestação de trabalhadores da Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário (EMEF), no Entroncamento, afirmou que, ou se renegoceia a dívida «em tempo útil» para fazer crescer a economia do país, ou Portugal fica sujeito à «colonização por tempo indeterminado».

Contudo, afirmou que não subscreveu o manifesto que pede a reestruturação da dívida, divulgado hoje pelo jornal Público, porque «ao que parece, foi encaminhado para determinado tipo de personalidades».

Para Arménio Carlos, mesmo que Portugal regresse aos mercados, assuma o programa cautelar ou fique sob vigilância reforçada, «é por demais evidente» que a situação vai continuar «insustentável» porque o país «não vai crescer economicamente nos próximos anos para criar emprego».

Como prova disso, o líder da CGTP referiu o relatório da Comissão Europeia, com previsões até 2050, que aponta que Portugal vai crescer sempre abaixo dos 2%, terá um desemprego estrutural de 10% em 2025, uma diminuição de 17% dos ativos, a maior da União Europeia, e uma criação de emprego que não ultrapassará os 0,4% em média ao ano.

«O Governo já mostrou que é o problema que impede a solução. Tem de ir embora e com ele as políticas», disse, sublinhando que o outro passo é a renegociação da dívida «nos prazos, nos juros e nos montantes», sob o risco de não existirem condições para aumentar a produção nacional, criar mais emprego e permitir que o país crie riqueza «para pagar o que deve».

Arménio Carlos afirmou que a semana nacional de protesto e luta da CGTP, que decorre até sábado, com greves, paralisações e concentrações, já deu «sinais de resultados muito positivos», com empresas que recusavam negociar a reverem a sua posição, outras com salários em atraso a começarem a pagar, o mesmo acontecendo em casos de subsídios, havendo ainda situações de integração nos quadros de trabalhadores com vínculo precário.

«Só por isso já valeu esta jornada», afirmou, realçando que outras manifestações se seguirão, sendo as mais expressivas as que se vão realizar nos dias 25 de abril e 01 de maio.