O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, defendeu esta terça-feira que a Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário (EMEF) tem que dar o salto para a construção de comboios, o que permitiria desenvolver a economia e reduzir as importações.

"Se tivermos em consideração um investimento de curto e médio prazo, aproveitando os fundos comunitários, podemos fazer com que a empresa fique também com a responsabilidade da construção de material ferroviário circulante", afirmou o dirigente da CGTP, à margem da concentração de trabalhadores da EMEF, que se realizou em frente ao Ministério do Planeamento e Infraestruturas, em Lisboa.

Em declarações aos jornalistas, o secretário-geral da CGTP considerou que todos sairiam a ganhar com esse investimento, nomeadamente a economia nacional, uma vez que o alargamento da atividade da EMEF à construção permitia criar mais emprego, mais riqueza e reduzir as importações.

"Esta empresa tem todas as condições para dar certo e para se colocar ao serviço do desenvolvimento do país. Já transmitimos a este Governo que demonstrou interesse em estudar a ideia", declarou o dirigente da CGTP.

De acordo com a Lusa, Arménio Carlos lembrou que o plano de investimentos na ferrovia, num montante superior a mil milhões de euros, "não pode passar sem manutenção e sem construção".

O coordenador da Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações (Fectrans) José Manuel Oliveira também defendeu que a EMEF tem "todas as capacidades e potencialidades para dar um contributo na construção de material circulante".

Esse salto, acrescentou, depende da existência de "vontade política", realçando que há medidas urgentes que têm que ser tomadas para reduzir a precariedade e melhorar as condições de trabalho na empresa do grupo CP - Comboios de Portugal.

Para que a empresa possa assegurar todo o trabalho de manutenção e reparação do material circulante em Portugal, a Fectrans defende ser necessário cerca de uma centena de trabalhadores (atualmente está aberto um concurso para 85 trabalhadores para as oficinas de Guifões), a maior parte dos quais mediante a integração nos quadros dos funcionários atualmente com vínculos precários.

Na base do protesto desta terça-feira está ainda a reposição de direitos, como as diuturnidades, evolução na carreira, pagamento de trabalho extraordinário, valorização dos salários e direito ao transporte extensivo às famílias dos trabalhadores.

Em declarações à Lusa, José Manuela Oliveira realçou que em 1992 a EMEF tinha dois mil trabalhadores e atualmente são menos de mil.

“Com esta redução de trabalhadores o que estamos a verificar é uma entrega cada vez maior de trabalho a empresas externas, que não têm a qualidade e o conhecimento que os trabalhadores desta empresa têm”, sustentou, avançando como exemplo a anunciada intervenção nos Alfa Pendulares, onde “a intervenção da EMEF será na ordem dos 30 a 40%”, sendo “o resto tudo trabalho externo”.

O Governo liderado por Passos Coelho pretendia privatizar a EMEF, mas em julho decidiu não aceitar a proposta apresentada pela Alstom para a compra empresa, deixando assim cair a intenção de entregar a manutenção ferroviária a privados.

O secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, explicou então que a decisão de não avançar com a privatização da empresa teve em conta “os riscos associados ao prosseguimento desta operação e mostra que não há nenhuma obsessão do governo em relação às privatizações”.

O governante referia-se à queixa da Bombardier à Comissão Europeia, alegando que a EMEF recebeu ajudas estatais de 90 milhões de euros.