O líder da CGTP, Arménio Carlos, considerou esta sábado «uma manobra de diversão», para «fugir às questões concretas» que afetam os trabalhadores, as declarações do secretário-geral da UGT, que acusou a intersindical de ser uma «organização autofágica».

De acordo com Arménio Carlos, as declarações de Carlos Silva, secretário-geral da UGT, são uma «manobra de diversão para tentar fugir à questão concreta» que é «a destruição da contratação coletiva e a redução das retribuições».

«A UGT está disponível para colaborar com o Governo e com os patrões na destruição da contratação coletiva e na redução da retribuição ou está contra? É só disso que se trata. É sobre isso que a UGT tem de responder. Sobre o resto, são conversas que neste momento, pelo baixo nível que demonstraram, não merecem sequer resposta», afirmou o líder da CGTP, citado pela Lusa.

Arménio Carlos considerou que, com este tipo de declarações, Carlos Silva «só demonstra que não está bem com a sua consciência e quer desviar neste caso concreto a atenção da opinião pública daquilo em que neste momento deve estar concentrada».

O líder da CGTP apelou «a todos os trabalhadores e a todos os sindicatos que, não sendo filiados na CGTP estão confrontados com os mesmos problemas face a esta ofensiva que está em marcha, para que se unam e discutam os seus problemas e formem um movimento forte de contestação e de rejeição à proposta de alteração laboral que neste momento o Governo está a tentar implementar com os patrões».

O secretário-geral da UGT, Carlos Silva, acusou este sábado, em Vila Nova de Cerveira, a CGTP de ser uma «organização autofágica, amarrada a princípios político-partidários e assente numa política de destruição».

A acusação, explicou Carlos Silva, surge na sequência das reuniões de concertação social em torno das propostas de alteração da lei da contratação coletiva, após a decisão do Governo de abdicar do último reembolso do programa de assistência financeira.

Entretanto, Arménio Carlos participou este sábado numa manifestação organizada pela CGPT para pedir a demissão do Governo e exigir eleições antecipadas.

Milhares de pessoas concentraram-se esta tarde na praça do Marquês, no Porto, vindas de vários distritos do norte e do centro, e estavam cerca das 16:30 a desfilar para a praça da Liberdade, onde o líder da CGTP fará uma intervenção.