logotipo tvi24

CGTP quer renegociação da dívida portuguesa

Arménio Carlos diz que é preciso «alterar as regras do jogo» relativamente ao défice

Por: Redacção / CPS    |   2012-05-08 14:43

O secretário-geral da CGTP defendeu esta terça-feira a necessidade de Portugal renegociar a dívida e alertou que os últimos resultados eleitorais na Grécia foram um «cartão vermelho» aos governos e à União Europeia, por seguirem políticas de austeridade.

Arménio Carlos falava aos jornalistas no final de uma reunião em Lisboa com a ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, em que pediu maior celeridade no funcionamento dos tribunais de Trabalho e acesso mais fácil dos cidadãos à justiça, tendo em conta o problema das custas judiciais, escreve a Lusa.

Questionado sobre a «viragem à esquerda» nas eleições na Grécia e em França, o dirigente da CGTP disse tratar-se de uma «manifestação inequívoca de protesto» contra a austeridade e um «cartão vermelho» aos governos e à União Europeia pela política que tem sido desenvolvida e que é contrária ao crescimento económico.

Arménio Carlos disse ainda que o escrutínio popular na Grécia e França é também um «sinal» da «exigência de uma alternativa» que não se faz só com a adenda ao tratado orçamental, observando que o tratado orçamental é a «antítese» do desenvolvimento e do emprego.

Na opinião do secretário-geral da CGTP, é preciso promover o crescimento económico, mas para isso é preciso «alterar as regras do jogo» relativamente ao défice, sendo imperioso «prolongar o período para a redução do défice», propondo que em vez de ser 3 por cento em 2013, o possa ser em 2016 ou 2017, dando margem ao Governo para fazer investimento público e dinamizar a economia.

«É preciso renegociar a dívida», enfatizou Arménio Carlos, vincando que «objetivamente» Portugal «não tem condições» para cumprir o calendário traçado dado o curto espaço de tempo para o fazer.

Frisou a propósito que o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, já reconheceu que em 2013 Portugal vai pagar mais em juros da dívida do que em gastos com Educação, Saúde e Segurança Social, exemplo que reflete que o país se está a «afundar».

«Se não aprendemos até agora, se calhar o exemplo da Grécia demonstra que temos que aprender rapidamente», acentuou, advertindo que a política de recessão e austeridade está a matar a «esperança e o futuro», com a classe média a cair na pobreza,«os pobres a cair na miséria e os miseráveis a sair das estatísticas».

Questionado sobre se estão previstas mais greves, Arménio Carlos respondeu que haverá «mais luta», dando exemplos concretos da Carris, Metropolitano e CP, e lembrando que o Conselho nacional da CGTP reúne-se quarta-feira para discutir formas de protesto a encetar nos próximos tempos.

«Uma coisa garantimos: Não vamos baixar os braços. Estamos a ser vítimas de uma política que elegeu os trabalhadores como inimigos. Não vamos aceitar», concluiu.

Partilhar
EM BAIXO: Arménio Carlos (Mário Cruz/Lusa)
Arménio Carlos (Mário Cruz/Lusa)

Skoda Citigo chega a Portugal
Preços arrancam nos 9.545 euros
Veja as capas dos jornais de hoje
Revista de imprensa deste sábado
Governo: áreas-chave que vão criar emprego em 2013
Ministério da Economia aponta 14 setores que estarão em destaque durante este ano «particularmente difícil»
PUB