As condições de mercado para vender o Novo Banco não são as desejáveis, mas a intenção é vender. A Caixa deve ser recapitalizada até outubro. Entrevista TSF ao ministro das Finanças, Mário Centeno.

"O horizonte" com que o Governo está a trabalhar para a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos tem data no calendário - "terceiro trimestre, início do quarto", diz o ministro das Finanças em entrevista à TSF. Outubro, portanto, é o limite para que as negociações com a Comissão Europeia se fechem.

Mas há outra linha vermelha no caminho: "para preservar o impacto no défice", o Governo só fará a recapitalização na medida em que os montantes forem adequados às regras europeias. Estas exigem que a injeção de capital seja classificada como investimento, de modo a ser classificada como "evento de crédito" - não sendo registada no défice. Pelo que o Governo está a trabalhar de modo a acautelar que seja assim.

Mário Centeno justifica a auditoria pedida pelo Governo com a necessidade de que "não restem dúvidas" sobre o banco público, garante que vai pedir que esta seja "rápida" - mas sempre vincando que a estratégia para a Caixa não pode parar até que venham os resultados.

Quanto ao Novo Banco, Centeno garante que se mantém a intenção de venda, "com várias vias em campo" - leia-se, a venda direta ou dispersão em bolsa. Mas o ministro das Finanças admite que "as condições não são tão favoráveis quanto desejaríamos" [no Governo].

"É preciso paciência", diz Centeno, falando sobre o Novo Banco. E anota que também na Irlanda vários bancos já deviam ter sido vendidos, "mas o Estado ainda está lá".

Mas a banca precisará de um resgate, como aconteceu em Espanha? "Estamos a trabalhar de forma a que as soluções sejam encontradas dentro do sistema bancário", diz Mário Centeno, sendo que isso exige que "se libertem recursos para estas dificuldades". "A saída limpa foi curta", critica o ministro - referindo-se ao Governo anterior. E dizer que sobraram 6 mil milhões do resgate para o sistema financeiro foi "quase infantil".