A Comissão de Trabalhadores da Caixa Geral de Depósitos considera positiva a aprovação por parte de Bruxelas da recapitalização do banco público, mas exige conhecer em detalhe o plano de implementação. E avisa que ele "não se fará sem o envolvimento” dos funcionários.

Haver luz verde agrada, porque é necessário e fundamental para a sustentabilidade da CGD, mas existem diferentes formas de implementação e queremos conhecer qual será a adotada"

O coordenador da Comissão de Trabalhadores, Jorge Canadelo lamenta, a esse propósito, que "nem o Governo nem qualquer outra entidade tenham ainda esclarecido sobre o plano de implementação", mesmo depois de a entidade que representa os funcionários ter solicitado "essa informação há mais de dois meses aos gabinetes do primeiro-ministro e do ministro das Finanças".

"Temos que transmitir a perspetiva dos trabalhadores, porque nunca se fará recapitalização na CGD sem o envolvimento dos trabalhadores", declarou à Lusa.

A comissária europeia da Concorrência, Margrethe Vestager, reuniu-se com o ministro das Finanças, Mário Centeno, e juntos alcançaram um acordo de princípio para a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos, "em condições de mercado, isto é, em condições compatíveis com a ausência de ajuda de Estado", garante a tutela.

Plano em três frentes

1- Injeção direta do Estado que ascende a 2.700 milhões de euros. 

2 - Transferência das ações da ParCaixa do Estado para a CGD e conversão dos chamados CoCo´s – dívida que se transforma em capital em determinadas circunstâncias -, ou empréstimo do Estado, em capital. 

3 - Angariação de 1.000 milhões de euros junto de privados, através da venda de obrigações da própria Caixa Geral de Depósitos. "O instrumento financeiro a emitir não será convertível em ações da CGD, assegurando-se a manutenção da CGD como um banco integralmente público", lê-se no comunicado das Finanças.

Nas contas finais de Bruxelas, fonte do gabinete de Vestager refere que o valor da recapitalização ascende a 4.600 milhões mas o ministério de Centeno soma-lhe 560 milhões. Ou seja, 5.160 milhões de euros no total.  

A explicação é simples e está relacionada com a segunda frente do financiamento. "Transferir as ações da ParCaixa para a CGD no valor de 500 milhões de euros e a converter 960 milhões de euros de instrumentos de capital contingentes (CoCo’s) subscritos pelo Estado em ações", argumenta a tutela. Valores que a Comissão não esmiuçou.

A reestruturação  vai passar também pela redução do número de colaboradores em 2.500 até 2019.