O Conselho das Finanças Públicas considera que existe falta de informação no Documento de Estratégia Orçamental sobre as medidas adicionais necessárias nos próximos anos.

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No parecer sobre o documento, o organismo liderado por Teodora Cardoso refere ainda que há um elevado peso de medidas não especificadas em 2014 e 2015 e que isso constitui «um risco a ter em conta».

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O Conselho das Finanças Públicas faz referência, em particular, a medidas no valor de 1150 milhões de euros em 2014 e de cerca de 500 milhões de euros em 2015.

Relativamente aos anos de 2016 a 2018, o parecer do CFP considera que o Executivo omite as medidas adicionais de consolidação necessárias para atingir as metas anunciadas.

A organização liderada por Teodora Cardoso considera também que a informação para sustentar o crescimento do investimento e o reforço do equilíbrio externo, quando abrandar a restrição do consumo, é «insuficiente».

Esta ausência de informação «prejudica a transparência do exercício orçamental apresentado, limita o seu papel de orientação das expectativas dos agentes económicos, internos e externos, e implicitamente sublinha os riscos e incertezas subjacentes ao exercício de previsão».

Apesar de considerar que o cenário macroeconómico base do DEO se afigura «prudente, caso se concretize a estratégia em que ele parece basear-se», o CFP defende que «a explicitação desta permanece essencial» para avaliar a qualidade do exercício e «sobretudo para o tornar no instrumento estratégico que deveria ser, libertando-o dos vícios dos antigos Programas de Estabilidade, que nunca conseguiram desempenhar esse papel».

No DEO, apresentado a 30 de abril, o Governo confirmou as previsões já adiantadas, esperando que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça 1,2% este ano e 1,5% em 2015, devendo o ritmo de crescimento acelerar ligeiramente em 2016 (+1,7%) e em 2017 e 2018 (+1,8%, em cada um dos anos).

O Executivo previu também que a taxa de desemprego se mantenha nos dois dígitos em 2018, atingindo os 13,2% nesse ano, ainda que antecipe que a trajetória se mantenha descendente.