O grupo HIT vai investir dois milhões de euros na fábrica de tomate de Águas de Moura no próximo ano para aumentar a capacidade de produção de cerveja com tomate, anunciou o responsável da fábrica, Martin Stilwell.

O grupo HIT (Holding da Indústria Transformadora do Tomate) tem como principal acionista o gigante agroalimentar japonês Kagome e é dono das fábricas de processamento de tomate Italagro, na Castanheira do Ribatejo e FIT, em Águas de Moura.

Martin Stilwell, o presidente executivo da HIT sublinha que o interesse dos japoneses pelos produtos de tomate nacionais resulta de uma ligação de quase 30 anos à fábrica da FIT, uma relação «que se tem vindo a intensificar ao longo do tempo» e que culminou com a entrada da Kagome no capital da empresa em 2007.

A fábrica, salientou, tornou-se particularmente importante nos últimos anos: é aqui que a multinacional japonesa, que investe cerca de 10% da sua faturação anual de dois mil milhões de dólares em I&D, «traduz os resultados obtidos no laboratório para a escala industrial».

Exemplo desta inovação é uma cerveja que incorpora extrato de tomate produzido na fábrica portuguesa, que foi lançada timidamente, em 2012, em pequenos supermercados de Tóquio, mas conseguiu alargar as vendas um ano depois a toda a rede de distribuição da capital nipónica.

O responsável da HIT frisou que as vendas de extrato de tomate usado para fazer esta bebida duplicaram em 2013 e previu que dupliquem novamente em 2014, o que implica aumentar a capacidade de produção nesta fábrica, a única «que tem a tecnologia e a capacidade» necessárias para produzir o extrato.

Nos últimos quatro anos, os japoneses investiram cerca de dois milhões de euros nas instalações e Martin Stilwell prevê que será necessário fazer um investimento similar em 2014 para reforçar a produção deste extrato, usado na cerveja japonesa, mas que pode vir a ser incorporado em novos produtos.

Por enquanto, a cerveja só é vendida no Japão e o empresário assume que é preciso ser cauteloso no que respeita ao investimento.

¿Temos de ter alguma certeza de que o produto vai ter sucesso antes de avançar. Tóquio tem um pouco menos de 20 milhões de habitantes e o Japão tem cerca de 170 milhões. Se entrarmos na distribuição em todo o Japão, a nossa capacidade de produção é muito rapidamente esgotada por isso não prevemos sair ainda do Japão¿, justificou.

Questionado sobre o porquê deste interesse pelo tomate nacional, Martin Stilwell considerou que a obsessão japonesa pela qualidade do alimentos que consomem e a preocupação com a segurança alimentar têm sido positivas para Portugal, cuja qualidade dos produtos alimentares é reconhecida.

Martin Stilwell sublinhou que a cor é um aspeto distintivo e que o sabor do tomate cultivado em Portugal faz a diferença.

«É um critério com o qual é muito difícil de concorrer. Resulta de condições naturais que nós temos e que outros não têm, uma combinação de um clima suave, com a proximidade do mar, amplitudes térmicas não muito amplas e a fertilidade dos terrenos na zona do Tejo», explicou.

Portugal produz anualmente cerca de 1,3 milhões de toneladas de tomate transformado que são exportadas na sua quase totalidade.

O Japão é o segundo maior cliente, a seguir à Europa, recebendo cerca de 10% do total, como conta a Lusa.