O economista César das Neves diz que «os grupos instalados têm um poder enorme» em Portugal, defendendo que, por isso, «tentar enfrentar as entidades do Estado é impossível».

«Os grupos instalados não são os ricos, esses também existem, mas são poucos. O problema são aqueles que conseguem manter uma série de benefícios. Por exemplo, não se podem despedir os funcionários públicos neste país», disse o professor universitário, numa conferência na Universidade Católica, em Lisboa, sobre o Orçamento do Estado para 2014.

Citado pela Lusa, César das Neves acredita que a economia vai estagnar e que o desemprego não vai voltar a subir, reconhecendo que «houve um ajustamento».

«O problema tem a ver com o facto de que é extraordinariamente difícil meter de novo a pasta de dentes dentro do tubo. Não se pode mesmo reformar o Estado nem estou a prever que se vá reformar o Estado», disse, reiterando que «tentar enfrentar as entidades do Estado é impossível».

Por isso, defendeu, «o que é bom é que a economia ajustou» e que «a queda livre da economia estará acabada pelo menos para esta crise».

Na mesma conferência, o antigo ministro das Finanças Miguel Beleza defendeu que o défice orçamental para 2014 deveria ter ficado acordado nos 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB) como defendeu o Governo.

Além disso, o economista defendeu a queda do IRC ¿ Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Coletivas e uma taxa única do IVA ¿ Imposto de Valor Acrescentado.

«Estou de acordo com uma redução do IRC, o IRC devia ser zero. As empresas não existem, existe uma cadeia de relações jurídicas a que nós chamamos empresas. Só taxamos as empresas porque não sabemos taxar as pessoas», explicou.

Para Miguel Beleza, «o IVA devia ter uma taxa única», uma vez que, defendeu, «não se faz política social com impostos diretos».

«Os carros pagam todos os mesmo e é muito mais justo cobrar a todos 23% e subsidiar só os que precisam», exemplificou.

O Governo entregou na terça-feira a proposta de lei do Orçamento do Estado para 2014 na Assembleia da República. O documento prevê cortes salariais entre os 2,5% e os 12% para os funcionários públicos que ganhem mais de 600 euros.