O presidente do Conselho Económico e Social (CES) rejeitou hoje «enfiar a carapuça» das declarações proferidas pelo ministro da Economia, que classificou de «brigada do resgate» os subscritores do documento que apelava para uma solução na Portugal Telecom.

«Não enfio a carapuça. Não é para mim de certeza», afirmou Silva Peneda aos jornalistas à margem do plenário do CES, na Assembleia da República.

Depois de se saber da proposta dos franceses da Altice para comprar a Portugal Telecom, Silva Peneda e outras personalidades como Bagão Félix, Francisco Louçã, Freitas do Amaral e Manuel Carvalho da Silva subscreveram na segunda-feira um «apelo para resgatar a PT», em que exigem «das autoridades políticas e públicas uma atuação intensamente ativa» na empresa.

Esta tarde, o ministro Pires de Lima disse compreender «as preocupações» de personalidades que apelaram ao «resgate» da Portugal Telecom, mas rejeitou esta palavra por estar ligada à herança deixada pelo antigo primeiro-ministro José Sócrates.

«Portugal teve um regate, aquele que nos deixou como herança o Eng.º José Sócrates e não quero ter mais nenhum», salientou Pires de Lima no final de uma visita à fábrica do grupo Visteon, em Palmela, apelidando de «brigada de resgate» o grupo de subscritores do apelo.

O presidente do CES disse que não é sua pretensão, «nem é pretensão desse papel, ter uma solução para o problema» da Portugal Telecom e referiu que assinou o documento por preocupação com o centro tecnológico de Aveiro.

«Se tenho aqui alguma preocupação é essa. A minha motivação para a assinatura do papel teve a ver com esse centro tecnológico. Há muitas formas de o poder político agir. Eu queria era que alguém estivesse preocupado com isso, agora, a forma, desconheço qual é», afirmou o responsável.

A Oi e a Portugal Telecom anunciaram a fusão dos seus ativos em outubro do ano passado. Este ano, no entanto, o acordo foi abalado após as notícias sobre a operação de compra de dívida da RioForte, holding do Grupo Espírito Santo (GES), pela Portugal Telecom.

A polémica em torno da operação levou, no início do mês passado, à renúncia de Zeinal Bava, que ocupava a presidência da Oi desde junho de 2013.

A multinacional do setor das telecomunicações Altice, que detém a portuguesa Cabovisão, anunciou segunda-feira ao mercado que ofereceu 7.025 milhões de euros para a compra dos ativos PT fora de África.