O presidente do Conselho Económico e Social (CES) lembrou esta segunda-feira que se não for Portugal a tratar do seu futuro vão ser os outros, referindo-se à necessidade do País conseguir um acordo político de longo prazo no período pós-troika.

«Ou somos nós a tratar do nosso futuro ou são os outros», disse Silva Peneda, que falava na Comissão de Orçamento e Finanças sobre o parecer elaborado pelo CES sobre a proposta de Orçamento do Estado para 2014.

«Quanto ao segundo resgate ou programa cautelar, o título diz-me pouco. O que era importante era haver um novo programa fundamentalmente desenhado por nós. Chamem-lhe lá o que quiserem», acrescentou.

Para Silva Peneda, o compromisso político para o período pós-troika, nesta altura, é o mais importante.

«Ou somos nós a desenha-lo ou então vamos ter um programa onde a componente da consolidação orçamental vai ser a mais determinante e isso significará mais pobreza mais desemprego e mais dificuldades», insistiu.

O CES defende, no parecer aprovado, a preparação de um programa que promova o crescimento económico, a reforma do Estado e a consolidação orçamental, para ser aplicado em 10 anos, de forma gradual, insistindo num compromisso político «o mais alargado possível».

Questionado pelo deputado do PS, Pedro Silva Pereira sobre as declarações do ministro Rui Machete, que, no domingo, na Índia, onde se encontra na reunião de chefes da diplomacia da Europa e da Ásia, afirmou que um segundo resgate «é evitável» desde que as taxas de juro a 10 anos igualem ou fiquem abaixo dos 4,5%, o presidente optou por não comentar, dizendo apenas que o CES «nunca falou sobre essa necessidade [de um segundo resgate]».