O presidente da CEFC China Energy, a empresa que acordou comprar os seguros do Montepio, está a ser investigado por suspeita de crimes económicos, noticia a agência Reuters, que cita uma fonte ligada ao processo, que não quis ser identificada. 

O empresário em causa é Ye Jianming, que fundou a CEFC China em 2002, e já terá sido submetido a interrogatório, segundo a mesma fonte.

CEFC China Energy é o mesmo grupo que tem negociado com a Fundação Caloute Gulbenkian a compra da petrolífera Partex. Com isto, a fundação pretende abandonar o negócio do petróleo.

Quanto ao Montepio, o contrato de compra entre a CEFC e a holding seguradora foi assinado a 27 de Novembro de 2017. Esse contrato estipula uma entrada no capital por injeção de fundos na holding (Lusitânia Seguros, Lusitânia Vida e N Seguros).

A notícia da investigação de que é alvo o presidente daquele grupo chinês surge numa altura há ainda outro negócio apalavrado, esse com a Rússa: uma participação de quase 9,1 mil milhões de dólares na principal petrolífera daquele país, a Rosneft. Esta situação pode dificultar a conclusão do mesmo.

O contexto é sensível a outros níveis. O governo chinês assumiu, na semana passada, o controlo da seguradora Anbang Insurance Group, por alegadamente o seu presidente estar a ser processado por crimes económicos.

Um sinal de que Pequim quer apertar o cerco aos grandes conglomerados económicos e que pode assumir o controlo de mais empresas. É "claramente possível", segundo a análise do professor da universidade HSBC School of Business em Shenzhen, Christopher Balding, aqui citado pela Reuters. 

Possível também porque há outra coincidência: o parlamento deverá dar ainda mais poder ao presidente do país, Xi Jinping, oferecendo-lhe mandatos ilimitados. Com isso, decidirá o que pretender e poderá perpetuar, por mais tempo, essas decisões.