O vice-presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP) Vasco de Mello disse esta terça-feira à Lusa esperar que as vendas de Natal sejam, no mínimo, «tão boas quanto as de 2012».

A menos de duas semanas do Natal, «as expectativas da CCP é de que as vendas no corrente ano sejam, pelo menos, tão boas quanto as de 2012», afirmou Vasco de Mello.

«Talvez seja uma visão otimista», mas esta baseia-se no facto «de haver algumas classes com um rendimento superior àquele que era esperado inicialmente este ano», explicou, numa alusão ao acórdão do Tribunal Constitucional que repôs parte do subsídio de Natal aos pensionistas e funcionários públicos.

Vasco de Mello lembrou que as vendas de Natal representam entre 30% a 40% da faturação das empresas, dependendo do setor em questão, mas este peso não é igual para todos.

«O mercado está hoje muito volátil, pode representar até muito menos, não temos um padrão do peso das vendas», acrescentou.

No entanto, a quadra natalícia tem «um peso obviamente muito grande no setor retalhista e, consequentemente, no grossista», e em «muitos prestadores de serviços, onde se incluem os cabeleireiros, restauração e hotelaria», apontou.

«Já ficávamos agradados se a fasquia se mantiver» nas vendas deste Natal, sublinhou.

Sobre as promoções, o vice-presidente da confederação disse que estas iniciativas já existem de outros anos, mas que a grande novidade em 2013 foi a «importação do Black Friday», que acontece na primeira sexta-feira após o Dia de Ação de Graças, onde as empresas apresentam grandes descontos sobre os seus produtos.

Esta iniciativa pode traduzir-se, em Portugal, em duas formas, disse o responsável: a primeira é uma ação de marketing «pura e dura», onde se «cria a ideia de que o produto está mais barato».

Vasco de Mello disse que no decorrer de encontros com vários comerciantes a opinião geral foi de uma aposta numa forte ação de marketing.

Outra leitura é de que a ação resulta de «um receio de algumas empresas de que as vendas não vão correr bem no Natal, pelo que anteciparam o escoamento» dos seus produtos.

Estes descontos «reduzem as margens das empresas e diminuem as receitas fiscais», salientou.

Já sobre os saldos, as «expectativas serão as habituais», disse Vasco de Mello, lembrando a alteração feita pelo governo anterior que antecipou o período para logo a seguir ao Natal.

Esta mudança do período de saldos leva a que os consumidores façam grande parte das compras entre o Natal e o Dia de Reis, que se comemora a 06 de janeiro.

«Estamos a nos tornar um pouco hispânicos, com as consequências de haver uma redução da margem das empresas e da diminuição dos impostos», já que «o consumidor está cada vez mais inteligente, racional», tendo em conta que o rendimento disponível das famílias está mais baixo, disse

Em relação a 2014, tendo em conta que haverá uma diminuição do rendimento, Vasco de Mello lembrou que a CCP se tem mostrado preocupada com o tema.

Recordou que no último encontro com a troika, as confederações, entre as quais a CCP, foram unânimes em alertar para o impacto no mercado interno do menor rendimento das famílias.