O presidente da Confederação do Comércio de Portugal (CCP), João Vieira Lopes, considerou esta terça-feira que Portugal ainda não possui uma suficiente recuperação da atividade económica para justificar uma descida sustentável do desemprego no país.

Taxa de desemprego subiu para 13,9% em novembro

João Vieira Lopes falava após ter estado reunido com o secretário-geral do PS, António Costa, encontro que durou cerca de uma hora e que decorreu na sede da CCP.

Confrontado com os mais recentes dados do Instituto Nacional de Estatística INE), o presidente da CCP começou por defender ser natural a existência de um ligeiro acréscimo do desemprego entre o último trimestre do ano anterior o primeiro do novo ano, em resultado da atividade no período do natal.

No entanto, Vieira Lopes advertiu que «em Portugal não há neste momento suficiente recuperação económica que possa justificar uma quebra contínua do desemprego».

«Por isso, a nossa expetativa não se afastava muito daquilo que agora é demonstrado» nos indicadores do INE, completou o presidente da CCP.

Perante os jornalistas, João Vieira Lopes defendeu uma redução da carga fiscal sobre as empresas e criticou o Governo por, alegadamente, desvalorizar a concertação social, dando então como exemplo o facto de a sua confederação patronal não ter sido ainda consultada pelo executivo no que respeita à aplicação dos novos fundos comunitários.

Interrogado sobre a possibilidade de um Governo liderado pelo PS ser mais recetivo às posições da CCP, João Vieira Lopes recorreu à máxima futebolística «prognósticos só depois do jogo».

«Infelizmente, ao longo dos últimos anos, temos sempre a sensação de que somos melhor tratados pelos partidos da oposição do que pelos do Governo. Por vezes, partidos da oposição tornam-se recetivos, mas quando chegam ao Governo alteram», referiu.