O Presidente da República, Cavaco Silva, defendeu hoje que os relatórios das instituições internacionais «devem ser lidos com cuidado» mas recordou que depois há ainda uma negociação e que nem tudo aquilo que consta nesses documentos resulta «em produto final».

Cavaco defende que dividendo orçamental repare algumas injustiças

«Intrigas e insultos entre agentes políticos» não promovem crescimento

Em Guimarães, no final do roteiro para uma Economia Dinâmica a que dedicou o dia de hoje, Cavaco Silva foi questionado sobre o início da 12.ª avaliação da troika, que disse ter «lugar a menos de um mês de terminar o programa de ajustamento que foi negociado em maio de 2011» e por isso aponta «para o encerramento e para pensar o que será o pós-troika».

«Os relatórios das instituições internacionais devem ser lidos com cuidado mas, depois, o que vai ocorrer é uma negociação entre as autoridades portuguesas e essas instituições. São formuladas propostas que não deixam de passar, as mais importantes, pelo parlamento e só depois de uma aprovação no parlamento é que chegarão às mãos do Presidente da República», sublinhou.

Assim, e de acordo com o Presidente da República, a maior parte das vezes trata-se de sugestões e «nem tudo aquilo que consta nos relatórios resulta em produto final», que é depois encontrado «na sequência de uma negociação que não pode deixar de existir na defesa dos interesses nacionais em que está envolvido, em particular, o Governo».

Interrogado sobre a possibilidade do encerramento de cerca de metade das repartições das Finanças, Cavaco Silva começou por enfatizar que uma das finalidades do próximo quadro comunitário é «a redução das desigualdades de desenvolvimento que existem no nosso país, em particular a diferença entre um litoral demasiado estreito e um interior que, apesar de tudo, tem oportunidades, potencialidades endógenas que devem ser aproveitadas».

«E eu espero que aquilo que acaba de referir não deixe de ser tido em consideração», disse, sobre esse eventual encerramento.

Ao almoço, no discurso que fez em Felgueiras, o chefe de Estado afirmou que «intrigas, agressividades, crispações, e insultos entre agentes políticos» não promovem o crescimento económico.

Interrogado sobre estas declarações, Cavaco Silva disse ficar surpreendido com «alguma linguagem agressiva, alguma linguagem que roça mesmo o insulto de políticos em relação a outros e o nível de crispação principalmente quando Portugal está a chegar ao fim de um programa de ajustamento que foi muito duro e que tem que pensar no seu futuro».

«Nós precisamos de bons sinais neste momento, precisamos de bons exemplos, precisamos de confiança e por isso eu defenderia, como sempre tenho defendido, um melhor entendimento entre as forças políticas pensando no futuro», reiterou.

Assim, e depois da campanha eleitoral para as europeias, o Presidente da República espera que «algum diálogo se possa estabelecer».