O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, disse esta quinta-feira que "a TAP pode estar a caminhar para uma situação extremamente difícil". A propósito da greve dos pilotos na companhia aérea que amanhã se inicia, Cavaco Silva repetiu: "Deus queira que não ocorra na TAP aquilo que ocorreu noutros países", especificando casos como "Polónia, Chipre e Alitalia" em que houve despedimentos de trabalhadores. 

"Pelas informações de que disponho neste momento começo a recear que algo de semelhante possa vir a acontecer na TAP", disse o Presidente da República.
 
Cavaco Silva falava aos jornalistas em Oeiras, numa visita ao Comando Conjunto para as Operações Militares.

Questionado sobre as acusações da comissão de trabalhadores da TAP de que admitir um cenário de despedimentos é fazer "chantagem", depois do secretário de Estado dos Transportes ter admitido que a greve de dez dias dos pilotos vai colocar problemas financeiros sérios à companhia aérea, o Presidente da República disse entender que não deve acrescentar "absolutamente mais nada", porque "os portugueses já conhecem muito bem todas as coisas."

"Praticamente tudo já foi dito e há um reconhecimento generalizado que a TAP pode caminhar para uma situação extremamente difícil que eu gostaria que não acontecesse", sublinhou.

Sobre o que pode neste momento dizer aos pilotos, Cavaco Silva insistiu que "já tudo foi dito" e que pensa que "não há mais nada a dizer aos pilotos".

"Pela informação que me foi dada pela própria TAP e pelo Governo não vejo que haja qualquer coisa que eu, pessoalmente, possa acrescentar", sustentou.

Quanto à hipótese dos pilotos recuarem na intenção de avançar com a greve a partir de sexta-feira, o Presidente da República disse esperar "o que qualquer português neste momento espera".

Contudo, acrescentou, de acordo com as informações que têm sido divulgadas, neste momento [ao fim da manhã de quinta-feira] não pode "expressar ilusões" para as quais não tem fundamento.

Interrogado sobre a possibilidade de travar o processo de privatização da TAP face ao momento atual, Cavaco Silva repetiu apenas que espera que não aconteça na TAP o que ocorreu em outros países.

"Olhe-se para o caso da Polónia, olhe-se para o caso de Chipre, olhe-se para o caso da Alitália - Deus queira que isso não aconteça, mas eu começo a recear que pode acontecer", reconheceu.