O Presidente da República, Cavaco Silva, disse esta quinta-feira que já era expectável que o novo Governo tomasse medidas para devolver os rendimentos aos portugueses, mas sublinhou que é preciso cuidado para não afugentar os investidores externos.

"Havia a intenção, qualquer que fosse o partido que ganhasse as eleições, de aumentar o rendimento disponível dos cidadãos portugueses, na medida em que o país tinha completado com sucesso a execução do programa de ajustamento e tinha conseguido voltar aos mercados financeiros internacionais pedindo emprestado a taxas muito favoráveis", referiu Cavaco Silva.


O Chefe de Estado falava no final de uma visita à empresa Kerion, no concelho de Aveiro, no âmbito da 8.ª jornada do Roteiro para uma Economia Dinâmica, dedicada à cerâmica e metalomecânica.

Instado a pronunciar-se sobre as propostas do Governo liderado por António Costa para devolver os rendimentos aos portugueses, o Presidente da República disse que só falará sobre essas questões quando receber os respetivos diplomas.

O Chefe de Estado referiu ainda que Portugal é um país com uma taxa de poupança interna "muito baixa" e que "não consegue dispensar a poupança externa que chega por via de empréstimos ou pelo investimento direto estrangeiro".

"Temos de ter muito cuidado nas nossas decisões para não afugentar os investidores externos, porque se não tivermos investimento externo, então temos de pedir emprestado muito mais e isso cria-nos dificuldades ou então o investimento acaba por não subir aquilo que é necessário e o nível de vida das pessoas não melhora", sublinhou.

Cavaco Silva explicou ainda os objetivos da 8.ª jornada do Roteiro para uma Economia Dinâmica, dizendo que a cerâmica e a metalomecânica são "dois setores dos mais importantes da indústria transformadora portuguesa", porque empregam mais de 200 mil pessoas e exportam mais de 50% da sua produção.

A última jornada do Roteiro para uma Economia Dinâmica começou no concelho de Águeda com uma visita à Revigrés, uma empresa especializada na produção de revestimentos e pavimentos cerâmicos. Ao final da manhã, a comitiva presidencial deslocou-se a Aveiro, onde visitou outra empresa cerâmica - a Kerion.

Da parte da tarde, o chefe de Estado irá focar-se no setor da metalomecânica, visitando o grupo Motofil (em Ílhavo) e o grupo Arsopi (em Vale de Cambra).

O Roteiro para uma Economia Dinâmica, que teve início em abril de 2014, irá terminar ao final da tarde com uma sessão no Centro Cultural de Macieira de Cambra, em Vale de Cambra, onde o chefe de Estado irá condecorar empresários.

Ao longo das oito jornadas do Roteiro para uma Economia Dinâmica o Presidente da Repúblico visitou mais de 30 empresas.