O Presidente da República entende que a criação de uma "União Económica e Monetária aprofundada", com um ministro das Finanças de toda a zona euro, é um passo que devia um dia ser dado, mas levará muitos anos.

Interrogado sobre a proposta lançada pelo Presidente francês François Hollande sobre a criação de um governo da zona euro, o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, disse que "a ideia não é nada nova", recordando que ele próprio, nos livros que tem escrito, já referiu que é um passo que "devia um dia ser dado".

O único ponto novo nas propostas feitas por François Hollande, acrescentou, é a pré-determinação que aqueles que fazem parte da União Económica e Monetária aprofundada são apenas os países fundadores.

"Não se pré-determina que aqueles que querem estar na União Económica e Monetária aprofundada são apenas os membros fundadores", opôs-se o Presidente da República, citando um artigo recentemente escrito no New York Times, onde é dito que "nesse grupo deviam estar os fundadores, mas também Portugal, Espanha e a Irlanda".

Contudo, insistiu, esta ideia de uma União Económica e Monetária aprofundada "é qualquer coisa que vai levar ainda muitos anos a fazer o seu caminho".


Ainda a este propósito, Cavaco Silva, que falava aos jornalistas em Mafra, no final de uma visita à Escola de Armas, lembrou que há mais de uma década muitos reconhecem que, existindo uma política monetária única, uma política cambial única, não podem existir 28 políticas orçamentais e económicas distintas e, portanto, é preciso uma política orçamental, uma política económica comunitária.

"Mas, agora o que todos sabem é que para dar esse passo é preciso ter um orçamento comunitário de dimensão muito superior, muito superior àquele que temos neste momento, para poder responder àquilo que são os choques simétricos, isto é, os choques que atingem todos os países e os choques assimétricos, ou seja, aqueles que atingem apenas alguns países", sustentou.

Além disso, acrescentou, esse passo também exige a criação daquilo a que se "o ministro das Finanças de toda a zona do Euro".