O Presidente da República escusou-se hoje a comentar as dificuldades no processo de venda do Novo Banco, mas disse não ter dúvidas de que a decisão do Banco de Portugal será a que melhor defende os interesses nacionais.

"Devemos deixar o Banco de Portugal fazer o seu trabalho, o Banco de Portugal tem todas as informações que nós não conhecemos e não tenho dúvidas que a decisão do Banco de Portugal será aquela que melhor defende os interesses nacionais"

Cavaco Silva foi confrontado pelos jornalistas sobre as notícias de que a Fosun abandonou as negociações.

"Só o Banco de Portugal é que está em condições de decidir nessa matéria, até porque depende também daquilo que é a decisão que compete ao Banco Central Europeu." Deve deixar-se o Banco de Portugal "fazer a escolha que considera ser mais certa para a estabilidade do nosso sistema financeiro e aquela que melhor serve ao futuro", reforçou, no final de uma visita ao Serviço de Formação Profissional de Setúbal.

Já sobre se não seria mais prudente realizar a  venda do Novo Banco só depois das eleições legislativas de 4 de outubro, o chefe de Estado disse não estar em condições de responder. Mais uma vez afirmou que o assunto é da competência do Banco de Portugal, que diz que  “oportunamente" divulgará o resultado do processo negocial.

O chefe de Estado escusou igualmente exprimir uma opinião pessoal sobre se não seria aconselhável que a venda do Novo Banco se concretizasse pelo menos até ao final do ano, argumentando não ter elementos para isso.

"E não vou interferir e penso que o Governo também não deve interferir naquilo que é uma competência exclusiva do Banco de Portugal e do Banco Central Europeu", repetiu.

Quando à possibilidade do tema do Novo Banco vir a entrar na campanha eleitoral,lembrou apenas que "qualquer que seja o Governo futuro, não pode deixar de sujeitar-se às competências que cabem ao Banco Central Europeu e ao Banco de Portugal".

Depois de as negociações entre o Banco de Portugal e a chinesa Anbang terem falhado, o supervisor iniciou negociações com a Fosun. O fundo norte-americano Apollo foi um dos candidatos que também apresentou uma proposta vinculativa na fase III do processo de venda do Novo Banco.

A Unidade Técnica de Apoio Orçamental, numa nota mensal sobre dívida pública, advertiu hoje que se o Novo Banco não for vendido,  o Estado vai ter de financiar-se.