A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, admitiu ver com “enorme apreensão” o conflito laboral na Autoeuropa e disse esperar que a empresa continue a respeitar os direitos dos trabalhadores, que iniciam na madrugada de quarta-feira um dia de greve.

Acho que olhamos todos para a Autoeuropa com uma enorme apreensão, é uma das maiores empresas portuguesas, uma das maiores exportadoras, julgo que tem existido alguma inflexibilidade nestas negociações, preocupa que a administração também diga que agora não quer negociar”, afirmou Catarina Martins.

Os trabalhadores da Autoeuropa vão fazer um dia de greve contra os novos horários de três turnos e trabalho aos sábados. A paralisação terá início às 23:30 de terça-feira e terminará às 00:00 de quinta-feira.

A dirigente do BE, que falava à margem de uma visita à Associação Cultural Moinho da Juventude, no bairro da Cova da Moura, Amadora, considerou que o conflito laboral resultará de “dores de crescimento” da própria empresa automóvel de Palmela.

Estamos a falar de um aumento da capacidade produtiva da Autoeuropa bastante grande, a possibilidade de mais dois mil postos de trabalho em Portugal, não é coisa pouca, e é preciso que este aumento de produção se faça naturalmente com um diálogo com os trabalhadores, com os direitos dos trabalhadores”, frisou.

Para Catarina Martins, “a Autoeuropa tem sido um exemplo desse diálogo e tem sido um exemplo do respeito pelos seus trabalhadores, que é bom que se mantenha”.

É isso que nós esperamos que aconteça e se cheguem às melhores soluções possíveis”, vincou a dirigente bloquista.

Razões da greve

A greve contra os novos horários de três turnos e trabalho aos sábados foi aprovada em plenários realizados na segunda-feira, com a participação de cerca de 3.000 trabalhadores.

As compensações financeiras prometidas pela administração da Autoeuropa, um adicional de 175 euros por mês e mais um dia de férias para além das regalias previstas na legislação para o trabalho por turnos, não foram suficientes para demover os trabalhadores da Autoeuropa, que não aceitam a obrigatoriedade do trabalho ao sábado, segundo explicou fonte sindical.

Segundo o Sitesul - Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Sul, não se trata de uma questão de dinheiro, mas da obrigatoriedade de trabalhar todos os sábados durante dois anos, com apenas dois dias de folga consecutivos de três em três semanas.

De acordo com o sindicato, os trabalhadores da Autoeuropa não receiam uma eventual deslocalização da produção do novo veículo T-Roc atribuído à fábrica de Palmela, até porque grande parte do investimento em causa foi suportado pelo governo português.

Os novos horários propostos pela administração da Autoeuropa foram previamente negociados com os representantes dos trabalhadores, mas o pré-acordo foi rejeitado por mais de 74% dos funcionários da empresa, levando à demissão da Comissão de Trabalhadores.