Os preços estão elevados porque a procura em Portugal, sobretudo nos grandes centros urbanos e zonas de turismo, disparou.

É a lei da oferta da oferta e da procura, tão bem conhecida pelos economistas, a funcionar mas que está a deixar sem alternativas muitas famílias, que são arrastadas para a periferia, se quiserem comprar casa. Porque afinal, arrendar também não conseguem.

Em entrevista à TVI, no espaço Economia24 no programa "Diário da Manhã", Hugo Silva, especialista no setor imobiliário, disse que: “esse é o grande problema do mercado imobiliário hoje. Especialmente nos grandes centros urbanos, o mercado de arrendamento não existe, ou o que existe é a valores a que compra compensa mais”.

Mas as opções de compra também escasseiam nos centros. Um efeito que se sente de há dois anos a esta parte e que já nem o fenómeno das casas com que os bancos ficaram na crise consegue colmatar.

A única opção que têm, viável, é para as empresas. Porque o produto que tem para oferecer de imobiliário, neste momento, é 80% não habitacional [lojas, armazéns, terrenos]”, assegura Hugo Silva.

Em Lisboa e no Porto é onde a escassez é mais notória. Os poucos imóveis dos bancos, que ainda existem, “entram no mercado a um preço e chegam a ser vendidos cerca de 60 a 70% acima desse valor. Ainda há pouco tempo, em Marvila, um imóvel, que custava 169 mil euros, teve 142 propostas de aquisição e foi vendido a 270 mil euros”.

O especialista garante que é mesmo o mercado a funcionar e que, para já, não há qualquer bolha especulativa. Nem os baixos juros o permitem.

O Verão, com os turistas e os emigrantes a regressarem para férias, aumenta ainda mais a “loucura” pela procura de casas.

“Esta é a época alta do imobiliário, até porque Portugal está na moda e Lisboa ainda mais”, diz. E os emigrantes também ajudam para este ‘boom’ da procura para comprar “porque, historicamente, a nossa tendência é essa”.

E no momento do financiamento?

Acresce que, quando chega ao momento do financiamento, mesmo que os bancos não estejam a financiar na totalidade [no máximo vão até 90% do valor da avaliação, a que acrescem todas as despesas relacionadas com a escritura] compensa mais comprar que arrendar “porque a prestação é mais barata que o arrendamento na mesma zona em que quer comprar".

E o responsável dá um exemplo que, em termos proporcionais, é igual em qualquer mercado: num imóvel de 100 mil euros, um financiamento com um spread em torno dos 2% fica com uma renda entre 320 a 350 euros. Nessa mesma zona um imóvel, normalmente, está arrendado por 500 euros.

Se não consegue comprar porque é caro e não tem dinheiro para uma entrada, e também não consegue alugar, pode sonhar com uma prestação mais baixa?

“Já existem alguns bancos no mercado que permitem quer renegociar o spread que tem, quer ir aos outros bancos negociar um mais baixo”.

E há um spread “aceitável” na atual conjuntura?

Hugo Silva diz que, de um modo geral, acima de 2% é alto. O que compara com spreads de 4 a 4,5% de há dois anos.

Com spreads mais baixos, os bancos têm tendência para “empurrar” dos clientes para taxas de juro fixas.

A taxa fixa tem algum conforto, a longo prazo, para o cliente porque as taxas de juro, inevitavelmente, vão começar a subir e está mais protegido. Mas, no momento, é sempre mais caro para o cliente contratar uma taxa fixa”. Ou seja, estará antecipadamente a pagar mais para se proteger de uma subida abrupta das taxas de juro.

Segundo, o índice de preços do Idealista, noticiado pela Lusa, o preço das casas em Portugal subiu 3,8% durante o segundo trimestre deste ano em relação ao anterior, verificando-se a valorização dos imóveis em todas as regiões do país. “As regiões que apresentaram uma subida mais significativa foram Madeira e Alentejo (8,5% e 7,8% respetivamente), seguidas por Lisboa com um aumento de 4,6%”, informou a plataforma imobiliária.